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Por que a Selic continua alta? Galípolo aponta culpado para os juros elevados e faz alerta sobre inadimplência
Publicado em: 17/08/2026 15:48
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o patamar elevado da taxa Selic se deve principalmente a fatores internos da economia brasileira, e não ao cenário internacional. A declaração foi feita durante a 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo, na segunda-feira (17). Segundo Galípolo, o Brasil vive um cenário de pleno emprego com crescimento puxado pelo consumo, mas a demanda superou a capacidade de oferta, gerando pressão inflacionária. Ele explicou que a política monetária tem o mandato de reequilibrar oferta e demanda, justificando a manutenção dos juros em patamar restritivo. Na última reunião do Copom, em 5 de agosto, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14% ao ano. O chefe da autoridade monetária alertou que não existe crescimento sustentável movido apenas por consumo. Sem ganhos reais de produtividade para expandir a oferta, a economia continuará enfrentando o 'muro' da inflação. Ele também mencionou que o cenário internacional impõe desafios, com países como EUA, Alemanha e Japão aumentando a demanda por liquidez global. Galípolo classificou como 'preocupante' o avanço do endividamento e da inadimplência no país, citando um efeito de 'exponencialidade' causado pela combinação de juros altos e maior comprometimento de renda. Ele destacou uma distorção cultural no mercado brasileiro, onde consumidores recorrem primeiro a linhas de crédito emergenciais e caras, como o cartão de crédito rotativo, em vez de opções mais baratas com garantias. O presidente do BC também afirmou que a autarquia teve que avançar na regulação bancária, definindo novos limites para o crescimento das instituições financeiras e o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ele citou o desafio da educação financeira, já que muitos brasileiros investem em CDBs sem analisar os riscos, confiando na garantia do FGC. Galípolo evitou dar conselhos a candidatos à presidência, afirmando que o papel do Banco Central é defender sua função sem exorbitar. Ele reforçou que a instituição não está pilotando a política monetária para colaborar com o crescimento puxado por consumo, mas sim pensando em um patamar contracionista para controlar a inflação.
FONTE ORIGINAL:
https://www.seudinheiro.com/2026/economia/galipolo-selic-deve-seguir-restritiva-para-reequilibrar-oferta-e-demanda-ccgg
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