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Inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país com R$ 232 bi de dívidas em atraso, patamares recordes

Publicado em: 17/08/2026 04:00
Inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país com R$ 232 bi de dívidas em atraso, patamares recordes
A inadimplência das empresas no Brasil atingiu patamares recordes em junho, conforme dados da Serasa Experian antecipados ao GLOBO. Foram 9,1 milhões de CNPJs negativados, com R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso, ambos os maiores números da série histórica iniciada em 2016. Em maio, os totais eram de nove milhões de empresas e R$ 229,9 bilhões. O levantamento mostra que 95% dos CNPJs negativados são micro e pequenas empresas, totalizando 8,7 milhões de negócios. O setor de serviços concentra a maior parcela da inadimplência, com 55,7% do universo analisado, seguido pelo comércio, com 32,2%. Em média, cada firma inadimplente acumula 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relaciona o quadro ao endividamento das famílias, que também renovou recordes, chegando a 83,9 milhões de negativados em julho. O comprometimento da renda familiar com parcelas de empréstimos, cartões e contas básicas é de 74,6%, chegando a 90% nas faixas de renda mais baixas, o que restringe o consumo e pressiona o caixa das empresas. O ambiente de juros elevados, com a Selic em dois dígitos desde 2022, encarece o crédito e acelera o crescimento das dívidas. A economista alerta para uma "bomba-relógio" no crédito, com risco de queda abrupta da atividade econômica caso não haja uma desaceleração gradual. Programas de renegociação como Desenrola, Pronampe e ProCred360 são citados como alívio temporário, mas não resolvem o problema estrutural sem uma redução sustentada dos juros. A economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, projeta queda mais consistente da inadimplência apenas no início de 2027, condicionada a medidas de ajuste fiscal que abram espaço para cortes maiores na taxa básica. Sem equalização das contas públicas, a expectativa é de manutenção dos juros altos e nova onda de alta na inadimplência, com risco de recessão econômica a partir de 2028.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2026/08/17/inadimplencia-ja-atinge-91-milhoes-de-empresas-no-pais-com-r-232-bi-de-dividas-em-atraso-patamares-recordes.ghtml
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