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BofA vê “tempestade próxima” com piora do crédito e eleva alerta para bancos e varejo

Publicado em: 18/08/2026 13:32
BofA vê “tempestade próxima” com piora do crédito e eleva alerta para bancos e varejo
O Bank of America (BofA) divulgou um relatório intitulado "The gathering storm" ("A tempestade se aproxima") no qual reforça uma postura cautelosa em relação ao setor financeiro brasileiro. A análise se baseia nos resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), que indicam uma combinação preocupante de aumento da inadimplência, elevação das provisões e piora das condições financeiras das famílias. Segundo o relatório, assinado por Mario Pierry e equipe, o ambiente de juros elevados continua pressionando a capacidade de pagamento dos consumidores. Como consequência, o custo de risco (cost of risk, ou CoR) aumentou na maior parte das instituições financeiras, refletindo uma postura mais conservadora diante da expectativa de perdas futuras. As provisões cresceram em ritmo superior ao das carteiras de crédito, sinalizando que os bancos se preparam para um ambiente de inadimplência mais elevado. O levantamento do banco aponta que o endividamento das famílias chegou a 49,8%, enquanto o serviço da dívida alcançou 28,5% da renda, reduzindo a capacidade dos consumidores de absorver novos choques financeiros. A inadimplência das operações de crédito ao consumo avançou 20 pontos-base na comparação trimestral e acumula alta de 50 pontos-base no ano, mesmo com o apoio do programa Desenrola para renegociação de dívidas. O BofA observa que instituições com carteiras mais diversificadas, como Itaú Unibanco e Bradesco, apresentam comportamento relativamente mais resiliente, com custo de risco praticamente estável no trimestre. Já bancos e operações com maior concentração em clientes de menor renda ou nichos específicos registraram deterioração mais acentuada, incluindo Santander Brasil, Porto e estruturas financeiras ligadas ao varejo. As teleconferências de varejistas após os resultados do 2T26 reforçaram a percepção de enfraquecimento da saúde financeira das famílias. Assaí relatou restrições de consumo, Grupo Casas Bahia destacou elevado endividamento e piora da qualidade de crédito, enquanto Lojas Renner afirmou manter-se seletiva na concessão de crédito. Natura e Magazine Luiza também mencionaram aumento de perdas esperadas e inadimplência. Empresas relataram ainda que plataformas de apostas online vêm reduzindo a renda disponível das famílias. O BofA mantém visão defensiva para o setor financeiro brasileiro, avaliando que a combinação de juros elevados, endividamento recorde das famílias, desaceleração do crescimento do emprego e perda de fôlego da massa salarial aponta para um ambiente mais desafiador para bancos e varejistas.
FONTE ORIGINAL:
https://www.infomoney.com.br/mercados/bofa-ve-tempestade-proxima-com-piora-do-credito-e-eleva-alerta-para-bancos-e-varejo
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