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Crédito agrícola encolhe e produtor sente aperto
Publicado em: 19/08/2026 10:27
O aperto de crédito no Brasil se intensificou e atingiu o agronegócio, segundo análise do comentarista Miguel Daoud. O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, é apontado como o retrato mais visível de uma crise de crédito mais ampla que afeta empresas e produtores rurais, em um momento de custos elevados e preços internacionais em queda. O país registra 9,1 milhões de empresas inadimplentes, com cerca de R$ 230 bilhões em dívidas atrasadas. Desde o segundo trimestre de 2023, o total de empresas em recuperação judicial cresceu quase 66%. No agronegócio, aproximadamente 1.265 empresas do setor estavam em recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, alta de 66% em doze meses, e a inadimplência da população rural chegou a 8,8% no primeiro trimestre, alcançando 9,9% entre grandes proprietários. O comportamento defensivo dos bancos, que elevam provisões para perdas e se tornam mais seletivos na concessão de crédito, cria um círculo preocupante: a inadimplência reduz a disposição de emprestar, o crédito fica mais caro e escasso, e novas empresas encontram dificuldade para pagar suas contas. O sistema financeiro brasileiro segue capitalizado, mas a restrição ocorre justamente quando empresas e produtores mais precisam de financiamento. No campo, a pressão financeira vem de safras anteriores comprometidas por eventos climáticos, com custos de fertilizantes, defensivos e diesel permanecendo altos. O seguro rural insuficiente levou muitos produtores a financiar a safra seguinte carregando o prejuízo da anterior. A instabilidade no Oriente Médio e a alta do petróleo acrescentam pressão sobre combustíveis, fretes e insumos, expondo o produtor a decisões geopolíticas. Globalmente, a OCDE projeta que governos e empresas captarão cerca de US$ 29 trilhões em títulos em 2026, com aproximadamente 78% das emissões dos governos destinadas a refinanciar débitos existentes. Nos Estados Unidos, o rendimento dos títulos de 30 anos atingiu o maior nível em quase duas décadas, atraindo capital internacional e pressionando mercados emergentes, como a Bolsa brasileira, que registrou saída de R$ 15,63 bilhões de investidores estrangeiros até 13 de agosto. A análise conclui que uma safra volumosa não equivale a prosperidade, pois produção não é renda e faturamento não é lucro. O grande risco é avaliar o agronegócio apenas pelo tamanho da colheita, quando é possível observar avanço da inadimplência, das recuperações judiciais e da descapitalização no campo. A próxima crise pode começar com falta de crédito para produzir, e não com falta de produção.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/credito/credito-agricola-aperto-financeiro
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