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Bancos brasileiros elevam provisões em resposta à inadimplência crescente
Publicado em: 19/08/2026 06:40
Os quatro maiores bancos brasileiros — Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil — intensificaram suas provisões contra calotes ao longo de 2026, adotando postura defensiva diante da deterioração da qualidade do crédito no país. No primeiro trimestre, as instituições somaram R$ 44,8 bilhões em despesas com provisões para perdas de crédito, alta de 33% ante o mesmo período de 2025. Em maio, a inadimplência no crédito ao consumidor alcançou 5,6%, mantendo-se nesse patamar em junho, conforme dados do Banco Central. Os índices superam os níveis observados durante a recessão de 2015-2016 e os registrados na pandemia de Covid-19. O analista do Citigroup, Gustavo Schroden, apontou que as projeções não são otimistas, prevendo possível piora até 2027. Os balanços do segundo trimestre reforçaram o quadro de deterioração, com variações entre os bancos. No Santander, as provisões para perdas atingiram R$ 7,65 bilhões, alta de 11,5% em relação ao ano anterior, pressionadas por spreads menores que o esperado. No Banco do Brasil, o problema se expandiu do agronegócio para as carteiras de pessoas físicas e de pequenas e médias empresas. O Itaú, por outro lado, manteve os atrasos sob controle, com o menor índice de inadimplência entre os analisados. Durante teleconferência com analistas, o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, descreveu o cenário do setor como desafiador, enfatizando a preferência por abrir mão de crescimento e participação de mercado em vez de aumentar o risco nas operações. O endividamento das famílias brasileiras alcançou 49,9% em fevereiro, recorde desde o início da série histórica em 2005, igualando o pico de julho de 2022. O índice de provisões sobre o total da carteira de crédito do sistema financeiro subiu para 8% em maio, ante 7,2% um ano antes, indicando fortalecimento dos colchões de proteção das instituições. Fatores externos também pressionam o setor, como os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito e reduz a capacidade de pagamento de famílias e empresas.
FONTE ORIGINAL:
https://blogdosilvalima.com.br/bancos-brasileiros-elevam-provisoes-em-resposta-a-inadimplencia-crescente
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