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Inadimplência, em nível recorde, não dá sinal de trégua
Publicado em: 19/08/2026 05:03
A inadimplência nas operações de crédito no Brasil, já em níveis recordes, não deve dar sinais de trégua, segundo bancos e economistas. O cenário combina juros altos por período prolongado, famílias endividadas e empresas alavancadas, com espaço para cortes na Selic menor que o esperado. A inadimplência com recursos livres encerrou junho em 7,6% na pessoa física, patamar recorde, e em 4% na pessoa jurídica, o maior desde 2018. A situação é mitigada por estratégias dos bancos, que priorizam linhas com garantia, especialmente no segmento PJ, e por programas governamentais como o Desenrola. O crédito permanece aquecido, com saldo de empréstimos crescendo 9,7% em 12 meses até junho. Especialistas apontam que a oferta ampliada de crédito, em condições adversas, mantém viés de alta para a inadimplência. O Banco do Brasil exemplifica o risco: lançou parcelamento automático de fatura em janeiro e viu a inadimplência no cartão saltar de 7,12% em março para 14,58% no fim do segundo trimestre, interrompendo a política após o problema. O caso ilustra como produtos de crédito mais acessíveis podem elevar o risco, especialmente entre as classes D e E. Executivos de grandes bancos, como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, reconhecem a pressão no mercado e adotam posturas mais conservadoras, reduzindo crédito pessoal e priorizando operações colateralizadas. O Itaú também incorporou o uso de sites de apostas como indicador antecedente de inadimplência em seus modelos de risco, citando impacto relevante na qualidade de crédito. O agronegócio é outro fator de pressão, com produtores alavancados afetados pela queda de preços de commodities, elevando recuperações judiciais no campo. A demanda por crédito entre empresas segue aquecida, impulsionada por capital de giro, com crescimento de 9,2% em 12 meses até junho, segundo a Serasa, diferindo de ciclos anteriores de aperto monetário. Instituições fora do grupo dos maiores bancos, incluindo fintechs, concentram parte relevante do aumento da inadimplência, operando com perfis de maior risco. O Nubank viu a inadimplência avançar para 6,9% em junho, mas afirma não ver sinais de alerta. O cenário geral indica que a inadimplência deve continuar em alta, com intensidade ainda em discussão entre analistas e CEOs.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/08/19/inadimplencia-em-nivel-recorde-nao-da-sinal-de-tregua.ghtml
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