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Juros altos e RJs reduzem oferta de crédito e ampliam disputa entre credores e devedores
Publicado em: 20/08/2026 16:19
O cenário de juros altos no Brasil tem dificultado a concessão de crédito, evidenciado pelo aumento de empresas em recuperação judicial (RJ). O estoque de empresas nessa situação cresceu 21,2% de junho do ano passado para junho deste ano, totalizando 6.341 companhias protegidas da falência pela Justiça, segundo levantamento das consultorias RGF e Bizdoc. O aumento das reestruturações faz parte de uma dinâmica desafiadora para o crédito: enquanto bancos e gestores enxergam mais risco e ficam mais seletivos na concessão, as empresas em RJ ou recuperação extrajudicial (RE) demandam capital de longo prazo para sustentar o turnaround da operação. Do lado dos credores, gestores de special situations no Brasil demonstram ceticismo quanto à capacidade das empresas de recuperar plenamente suas operações após uma reestruturação. Sergio Goldstein, sócio e responsável pela área de crédito estruturado da Itaú Asset, afirmou que o mercado está cada vez mais cético quanto à recuperação de empresas em dificuldade, citando operações de RE seguidas de RJ, como o caso da Casas Bahia. Segundo Antenor Camargo, sócio da gestora Farallon, o padrão atual do mercado é não conceder crédito a empresas com alavancagem superior a 2,5 vezes a geração de caixa. "Quem precisa de crédito não tem crédito e nem rolagem da dívida", disse o gestor, que enxerga oportunidades em bonds e debêntures do mercado secundário. Executivos apontaram a dificuldade das empresas em reestruturação para conseguir crédito de longo prazo, em um mercado no qual a maior parte do capital tem horizonte mais curto e caráter oportunístico. Bruno Serapião, CEO da Atvos, afirmou que o capital concedido normalmente é de curto prazo, não estratégico, gerando pressão de saída quando a companhia começa a se recuperar. Camille Faria, conselheira de PetroReconcavo e ex-CFO da Americanas, destacou que, após a reestruturação, as companhias perdem a proteção judicial e as linhas de crédito negociadas durante o processo, comprometendo a longevidade das empresas. Ela defendeu que o mercado mude a percepção sobre reestruturações, que devem ser vistas como oportunidades e não como sinal de falência iminente, e que muitas empresas esperam demais para recorrer ao mecanismo, chegando pré-insolventes.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/negocios/juros-altos-e-rjs-reduzem-oferta-de-credito-e-ampliam-disputa-entre-credores-e-devedores
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