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Dívida elevada nas Américas amplia prêmio de risco, diz BIS

Publicado em: 20/08/2026 11:33
Dívida elevada nas Américas amplia prêmio de risco, diz BIS
O Banco de Compensações Internacionais (BIS) divulgou análise indicando que a dívida pública em níveis recordes nas Américas tem ampliado de forma desproporcional o custo de financiamento dos governos e a sensibilidade das expectativas de inflação. O estudo aponta que, em economias com endividamento elevado e maior despesa com juros, os mercados reagem com mais intensidade a déficits fiscais. Segundo o BIS, a dívida do setor público na região alcançou máximas de várias décadas após sucessivos choques e esforços limitados de consolidação fiscal. Em muitos países emergentes latino-americanos, o endividamento chegou aos maiores níveis desde 1960, movimento associado a episódios como a década perdida dos anos 1980 e, mais recentemente, a pandemia de covid-19. O estudo também destaca a escalada do custo de carregamento da dívida. O gasto com juros aumentou na última década e, em vários casos, avançou mais do que as receitas fiscais. O BIS observa que dívida e juros não caminham necessariamente juntos, já que inflação mais alta, depreciação cambial e elevação dos juros básicos podem elevar a despesa com o serviço da dívida mesmo sem grande mudança no estoque. O ponto central da análise está nas não linearidades do ajuste fiscal. Em economias emergentes e em desenvolvimento nas Américas, expansões fiscais elevam os spreads soberanos, como os do Emerging Markets Bond Index (EMBI), de forma mais intensa quando a dívida já está em patamar elevado. Em países mais endividados, o aumento do prêmio de risco diante de déficits pode ser quase três vezes maior do que em economias com dívida mais baixa. Quando o peso dos juros é elevado, o efeito sobre o risco tende a ser maior e mais persistente, tanto em regimes de câmbio flutuante quanto em arranjos não flutuantes. O prêmio de risco mais alto pode pressionar as expectativas de inflação por diferentes canais, como enfraquecimento cambial, encarecimento do crédito para bancos e empresas e percepção de uso da inflação para aliviar o ajuste fiscal. Na conclusão, o BIS afirma que o ambiente atual eleva o custo de adiar ajustes e defende políticas fiscais mais disciplinadas, com estratégias críveis de consolidação, preservação de investimentos produtivos e serviços essenciais, além de regras fiscais claras, transparência e mecanismos efetivos de cumprimento. No campo monetário, a instituição ressalta a importância da credibilidade no compromisso com a estabilidade de preços e da independência do banco central.
FONTE ORIGINAL:
https://www.canalrural.com.br/economia/divida-elevada-nas-americas-amplia-premio-de-risco-diz-bis
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