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Incerteza no mercado de trabalho e inadimplência reduzem consumo

Publicado em: 20/08/2026 11:10
Incerteza no mercado de trabalho e inadimplência reduzem consumo
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada em agosto, recuou 0,6% na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 104,9 pontos. A retração foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho, com o componente de perspectiva profissional registrando o maior recuo do mês (-1,9%) e uma baixa de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado. O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, atribuiu o comportamento mais cauteloso das famílias ao ambiente financeiro pressionado, citando o aperto monetário causado pela alta taxa Selic e o avanço da inadimplência entre empresas, que gera ruídos na atividade econômica e ameaça a estabilidade das ocupações dos trabalhadores. A economista da CNC Catarina Carneiro destacou que a melhoria de alguns fatores, como a inflação dentro da meta e a ainda tímida redução da Selic, não foi suficiente para sustentar a percepção do consumidor no curto prazo, pois o mercado de trabalho é chave para a sensação de segurança, mesmo aquecido, a perspectiva futura é de menos certeza. A retração nas intenções de compra espalhou-se por quase todos os subíndices, com quedas na renda atual (-0,6%), no nível de consumo atual (-0,5%), no acesso ao crédito (-0,3%) e no momento para duráveis (-1,3%). A disposição para adquirir bens de maior valor avançou 17,5% no confronto anual, mas permanece em patamar desfavorável, marcando 75,8 pontos, abaixo do nível neutro de 100 pontos. A perda de fôlego no consumo mensal ocorreu com a mesma intensidade nas diferentes faixas de rendimento, com variação de -0,6% tanto no grupo com ganho de até 10 salários mínimos (102,5 pontos) quanto no estrato superior a 10 salários (117,4 pontos). No panorama anual, o indicador geral figura 2,3% acima do patamar de agosto do ano passado, mas a taxa de crescimento acumulada mantém trajetória de desaceleração contínua. O texto também menciona que, em abril, o país voltou a bater recorde de inadimplência, ultrapassando 80 milhões de consumidores negativados, segundo dados da Serasa Experian, o que torna as análises de concessão de empréstimos mais rígidas e pode aumentar as negativas por parte das instituições financeiras. Programas de renegociação, como os feirões da Serasa e o Desenrola Brasil, são citados como alternativas para consumidores limparem o nome e melhorarem o perfil de crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://monitormercantil.com.br/incerteza-no-mercado-de-trabalho-e-inadimplencia-reduzem-intencao-de-consumo
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