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Empresas preveem crescimento menor e até recessão para 2027, com juro alto e inadimplência

Publicado em: 20/08/2026 06:27
Empresas preveem crescimento menor e até recessão para 2027, com juro alto e inadimplência
Levantamento da Folha de S. Paulo com 76 companhias listadas no Ibovespa indica que grandes empresas e bancos preveem crescimento econômico menor e possível recessão para 2027, influenciados pela manutenção de juros altos e pelo aumento da inadimplência. As projeções foram extraídas das teleconferências de resultados do segundo trimestre de 2026. O endividamento recorde das famílias, que atingiu 82% em julho segundo a CNC, tem impactado setores essenciais. Empresas como CPFL Energia e Copasa relataram aumento na inadimplência de contas de água e luz, com a CPFL vendo o indicador subir de 0,82% para 1,08% entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Ambas adotaram medidas como cortes no fornecimento e ampliação de mecanismos de cobrança. No setor varejista, Lojas Renner e Assaí mencionaram pressão no consumo devido à Selic elevada. O CEO do Assaí, Belmiro de Figueiredo Gomes, afirmou que a companhia reduziu investimentos para desalavancar. A Yduqs, do setor educacional, projeta um cenário desafiador para 2027, com renda apertada e endividamento elevado, embora veja perspectiva positiva para o setor por não haver eventos como Copa do Mundo ou eleições. Executivos do setor bancário, como Roberto Sallouti, do BTG Pactual, e representantes do Santander, indicaram que o ambiente mais complexo de 2027 é consenso no mercado, com a inadimplência do crédito como principal ponto de atenção. Alfredo Setubal, CEO da Itaúsa, mencionou uma "pequena recessão", ecoando declaração de Armínio Fraga, e orientou empresas investidas a adotarem orçamentos mais moderados. O Boletim Focus projeta Selic de 12% ao ano e crescimento do PIB de 1,5% para 2027, ante expansão de 1,98% esperada para 2026. A cautela decorre do ciclo de queda da Selic mais curto que o esperado, influenciado por choques como a guerra no Irã e incentivos governamentais ao crédito em ano eleitoral, que pressionam a inflação e mantêm o consumo aquecido. Especialistas como Marcelo Kfoury, do Insper, e Joelson Sampaio, da FGV, destacam que o alto endividamento cria um efeito bola de neve, com consumidores priorizando pagamentos e comprometendo a receita das empresas. O cenário afeta tanto o custo das dívidas quanto as decisões de investimento, elevando o risco de desaceleração mais forte que o esperado da atividade econômica.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/empresas/noticia/2026/08/20/empresas-preveem-crescimento-menor-e-at-recesso-para-2027-com-juro-alto-e-inadimplncia.ghtml
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