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Crise no varejo soma mais de R$ 68 bilhões em dívidas reestruturadas; Casas Bahia pede recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões
Publicado em: 20/08/2026 04:00
Grandes redes do varejo brasileiro acumularam mais de R$ 68 bilhões em dívidas submetidas a processos de recuperação judicial ou extrajudicial desde janeiro de 2023. A sequência inclui Americanas, Dia, Polishop, Grupo Pão de Açúcar, Casa & Vídeo, Tok&Stok, Marabraz e, mais recentemente, o Grupo Casas Bahia, que protocolou pedido de recuperação judicial envolvendo R$ 17,3 bilhões. O episódio expõe a combinação de elevado endividamento empresarial, restrição ao crédito, Selic de 14% ao ano, comprometimento da renda das famílias e transformação do modelo de varejo baseado em grandes redes físicas. O pedido do Grupo Casas Bahia abrange dez empresas da holding, incluindo estruturas ligadas às marcas Casas Bahia e Ponto, ao comércio eletrônico Extra.com, à fabricante de móveis Bartira e a subsidiárias de logística e tecnologia. A companhia apresentou à Justiça aproximadamente R$ 17,3 bilhões em créditos sujeitos à reorganização, sendo R$ 16,4 bilhões de credores sem garantia, R$ 754 milhões de obrigações trabalhistas e cerca de R$ 154 milhões de microempresas e empresas de pequeno porte. Consideradas as obrigações extraconcursais, a exposição financeira e comercial relacionada ao grupo supera R$ 27,8 bilhões. O sistema financeiro aparece no centro da exposição ao Grupo Casas Bahia. O Banco Digio lidera a relação divulgada com aproximadamente R$ 3,28 bilhões, seguido por Banco do Brasil com R$ 2,99 bilhões, Zurich com R$ 1,98 bilhão e Bradesco com R$ 1,5 bilhão. A dívida classificada como financeira alcança aproximadamente R$ 16 bilhões. Os fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos formam outro grupo relevante de credores, com destaque para Samsung (R$ 937,6 milhões), Electrolux (R$ 700,1 milhões), LG Electronics (R$ 623,7 milhões) e Motorola Mobility (R$ 619 milhões). As obrigações tributárias também têm peso expressivo, com aproximadamente R$ 1,05 bilhão em ICMS em aberto e outros R$ 880,2 milhões em parcelamentos de tributos estaduais. A recuperação judicial foi protocolada depois da divulgação de um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, contra resultado negativo de R$ 555 milhões no mesmo intervalo de 2025. O patrimônio líquido passou a ficar negativo em aproximadamente R$ 8,1 bilhões. A companhia chegou ao oitavo trimestre consecutivo de prejuízo. Antes do pedido, o Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas, equivalentes a quase 30% da estrutura física, com aproximadamente 3 mil funcionários desligados, diante de um quadro total de 30.117 trabalhadores. A atual situação ocorre pouco mais de dois anos depois de uma primeira grande reorganização financeira. Em abril de 2024, o Grupo Casas Bahia apresentou pedido de recuperação extrajudicial destinado a reperfilar aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas financeiras. O novo pedido mostra que a redução de determinada parcela da dívida financeira não eliminou outras pressões sobre o caixa, como fornecedores, aluguéis, compromissos trabalhistas, financiamentos de estoques, operações vinculadas a recebíveis e necessidade permanente de capital de giro. A recuperação judicial é disciplinada pela Lei nº 11.101/2005, posteriormente modificada pela Lei nº 14.112/2020. O mecanismo destina-se à reorganização de empresas economicamente em crise e estabelece procedimentos para negociação de créditos, supervisão judicial e apresentação de plano aos credores. A companhia busca aproximadamente R$ 1 bilhão em financiamento do tipo DIP, modalidade destinada a empresas em recuperação. Os próximos passos dependerão das decisões da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, da negociação com bancos e demais credores, da manutenção do abastecimento pelos fornecedores, da obtenção de novo financiamento, da relação com trabalhadores e sindicatos e da capacidade da administração de transformar a reorganização da dívida em geração recorrente de caixa.
FONTE ORIGINAL:
https://jornalgrandebahia.com.br/2026/08/crise-no-varejo-soma-mais-de-r-68-bilhoes-em-dividas-reestruturadas-casas-bahia-pede-recuperacao-judicial-de-r-173-bilhoes
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