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Apostas online alteram padrão de consumo das famílias e pressionam endividamento

Data de Adição: 2026-07-09
O crescimento das apostas online (bets) no Brasil deixou de ser fenômeno de nicho e passou a impactar diretamente o orçamento das famílias, afetando setores como vestuário, alimentação, educação e serviços financeiros. Estimativas apontam que mais de 25 milhões de pessoas apostam em ao menos uma das 79 plataformas autorizadas, com movimentação mensal entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões, impulsionada pela digitalização e pelo uso do Pix. O consumo médio de carne por habitante recuou de 35 kg em 2024 para 31,9 kg em 2025 — queda de 9% — mesmo com preços mais baixos, sinalizando comprometimento de renda. No varejo, cerca de 23% dos apostadores reduziram compras de vestuário e 19% cortaram gastos em supermercados. O impacto também atinge a educação superior, especialmente entre as classes C, D e E, onde recursos destinados a mensalidades são redirecionados para apostas. Estudos da Tendências Consultoria e da Peers Consulting indicam que as bets já são o principal fator de endividamento familiar no Brasil, superando juros e crédito. Para cada aumento de 1% nas apostas, o endividamento cresce 0,23%. A taxa de endividamento das famílias atingiu 49,9% segundo o Banco Central, e a inadimplência alcançou 4,4% nas operações com atraso superior a 90 dias. O mercado ilegal permanece como risco sistêmico: plataformas não autorizadas representam cerca de 85% da receita bruta do setor, gerando evasão fiscal superior a R$ 7 bilhões ao ano. Setores do varejo e atacarejo pressionam o governo por medidas como bloqueio de sites irregulares, restrição de publicidade digital, limitação de jogos de cassino e controle de transações via Pix. Desde janeiro, apenas plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem operar no país, sob o domínio bet.br. Entidades do varejo defendem uma política de Estado nos moldes do combate ao tabagismo, com tratamento do vício em apostas como questão de saúde pública pelo Ministério da Saúde.
FONTE ORIGINAL:
https://www.gazetadopovo.com.br/economia/bets-consumo-familias-brasil/
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