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O que os números dos bancos dizem sobre os riscos do crédito

Publicado em: 26/08/2026 17:00
O que os números dos bancos dizem sobre os riscos do crédito
Os balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) dos quatro maiores bancos de varejo brasileiros apontam para uma piora generalizada na qualidade do crédito. A inadimplência, medida pela proporção de créditos com atraso superior a 90 dias, subiu em todas as instituições quando comparada ao mesmo período do ano anterior. O Banco do Brasil apresentou a maior deterioração, com sua inadimplência total subindo de 4,0% para 5,6%. Na carteira de pessoa física, o salto foi mais acentuado, de 5,6% para 8,4%. Parte significativa dessa piora está associada à crise no agronegócio, onde o crédito rural para pessoas físicas atingiu inadimplência recorde. Executivos do banco relataram que produtores rurais em dificuldades passaram a atrasar também compromissos de varejo, como cartões de crédito. Os outros três grandes bancos privados também registraram alta na inadimplência, embora em menor intensidade. O Santander viu sua inadimplência total subir de 2,6% para 3,3%, o Bradesco de 4,1% para 4,4%, e o Itaú Unibanco de 2,0% para 2,1%. A tendência comum entre todos os bancos indica uma pressão ampla sobre a capacidade de pagamento de famílias e empresas. Dados da Serasa Experian reforçam o cenário adverso. O Brasil encerrou 2025 com o maior número de empresas em recuperação judicial já registrado, totalizando 2.466 CNPJs envolvidos em processos de reestruturação. O setor de agropecuária concentrou 30,1% desses pedidos, explicando a forte manifestação da crise rural nos balanços bancários. Em janeiro de 2026, havia 8,7 milhões de CNPJs negativados no país. A permanência da taxa Selic em patamar elevado há mais de quatro anos é apontada como a explicação comum para a piora. Apesar do ciclo de cortes iniciado em 2026, a taxa segue em 14% ao ano, patamar ainda restritivo para o crédito. O efeito defasado dos juros altos mantém o estoque de dívidas sob pressão, mesmo com a trajetória de queda da Selic. O cenário gerou desafios adicionais para investidores em crédito privado. Duas empresas anteriormente integrantes do Ibovespa, a Raízen e o GPA, iniciaram processos de recuperação extrajudicial e foram retiradas dos índices da B3. Isso evidencia que a deterioração do crédito afeta não apenas pequenas empresas e famílias, mas também companhias de grande porte com histórico de acesso amplo ao mercado de capitais.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/amp/einvestidor/einar-rivero/o-que-os-numeros-dos-bancos-dizem-sobre-os-riscos-do-credito
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