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Como as Dívidas de Empresas Viram Negócio Para Fundos no Brasil

Publicado em: 13/07/2026 10:02
Como as Dívidas de Empresas Viram Negócio Para Fundos no Brasil
O mercado de venda de dívidas vencidas no Brasil está em alta, impulsionado pelo recorde de endividamento e pelo aumento das recuperações judiciais. Segundo projeção da Deloitte, o volume de créditos inadimplentes destinados à venda para investidores deve crescer 73% em 2026, passando de R$ 30,2 bilhões para R$ 52,3 bilhões. Esse cenário é alimentado por mais de 9 milhões de CNPJs negativados e pela pressão financeira sobre empresas de diversos setores. Os créditos problemáticos, conhecidos como Non-Performing Loans (NPLs), são vendidos por credores originais — como bancos, fintechs e varejistas — a fundos especializados com descontos que podem chegar a 80% do valor de face. O comprador aposta na recuperação de parte desses créditos por meio de renegociações, acordos ou execução de garantias. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) são os principais veículos de investimento nesse mercado, que historicamente era concentrado em grandes bancos, mas agora atrai novos vendedores, incluindo empresas de varejo, agronegócio, construção civil, saúde e educação. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou a Resolução 240, em março de 2026, que flexibiliza as regras para aquisição de recebíveis de empresas em recuperação judicial por FIDCs. A norma elimina a exigência de homologação judicial do plano de recuperação para classificação de créditos como padronizados e simplifica a coobrigação, aumentando a previsibilidade e reduzindo obstáculos para investidores. Especialistas apontam que a medida melhora o ambiente para estruturação de operações, embora não elimine riscos jurídicos. Apesar do crescimento da oferta, a concretização das operações enfrenta desafios. Segundo a Deloitte, 51% dos vendedores não concluíram ao menos uma venda devido à diferença entre preço esperado e oferecido. A qualidade da documentação, a formalização das cessões e a capacidade de cobrança são fatores críticos para o sucesso dos investimentos. Investidores com tecnologia, dados e capacidade jurídica tendem a capturar mais valor. A expectativa é de que a concorrência pelas carteiras aumente: 77% dos compradores ouvidos pela Deloitte pretendem elevar investimentos em 2026 e 2027. O mercado deve exigir cada vez mais due diligence e gestão ativa, afastando compradores oportunistas.
FONTE ORIGINAL:
https://forbes.com.br/forbes-money/2026/07/dividas-empresas-fundos-brasil/
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