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Juros altos anulam efeito do Desenrola, diz economista

Publicado em: 29/08/2026 11:18
Juros altos anulam efeito do Desenrola, diz economista
Dados recentes do Banco Central revelam que o comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas atingiu 28,9% em junho, maior percentual da série histórica iniciada em 2011. A inadimplência da carteira de crédito destinada a famílias alcançou 5,8% em julho, também recorde, enquanto no Sistema Financeiro Nacional (SFN) o indicador chegou a 4,9%. O cenário se configura mesmo em um momento de mercado de trabalho aquecido, com desemprego baixo e aumento real da renda média. O economista Gesner Oliveira, da GO Associados e FGV, avalia que programas de renegociação como o Desenrola conseguem reorganizar débitos e oferecer condições iniciais mais favoráveis. No entanto, a persistência de juros elevados compromete a sustentabilidade dessa melhora. O crédito pessoal não consignado, por exemplo, cobrava juros médios de 149,5% ao ano em junho em operações sem garantia. Essa modalidade cresceu 188% desde março de 2020, alcançando R$ 397,2 bilhões, com 68,7% da carteira sem garantia em maio. A avaliação aponta um ciclo vicioso: famílias renegociam débitos, mas, ao contratar crédito caro novamente, podem retornar à inadimplência. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também expressou preocupação com o aumento do endividamento e afirmou que a autoridade monetária prepara medidas para conter riscos nas modalidades de crédito mais caras e sem garantia. A discussão envolve o equilíbrio entre política fiscal e monetária. O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano em agosto, mas manteve a avaliação de que a política monetária precisa continuar restritiva. O economista defende um ajuste das contas públicas para reduzir a pressão sobre os juros e, assim, diminuir o custo das dívidas para famílias e empresas.
FONTE ORIGINAL:
https://pontanegranews.com.br/2026/08/29/juros-altos-anulam-efeito-do-desenrola-diz-economista
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