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Alívio do Desenrola sobre endividamento teve efeito temporário, aponta estudo

Publicado em: 08/09/2026 05:00
Alívio do Desenrola sobre endividamento teve efeito temporário, aponta estudo
Um estudo de economistas da UFRJ e da FGV analisou os efeitos da primeira edição do programa Desenrola Brasil sobre o endividamento das famílias. A pesquisa aponta que o alívio na inadimplência foi temporário, com os níveis voltando aos patamares anteriores em 18 meses. Os dados do Sistema de Informações de Créditos (SCR) revelaram que o programa não beneficiou de forma consistente a população mais vulnerável, como trabalhadores informais. O maior alívio foi capturado por trabalhadores com carteira assinada, e o efeito para o informal foi menor e estatisticamente insignificante, reforçando que o crédito continua a ser usado como extensão da renda instável. Do lado das instituições financeiras, o estudo identificou que bancos de porte médio e pequeno (segmentos S3 e S4) foram os mais beneficiados. A queda nas taxas de inadimplência nesses segmentos foi significativa, e os dados mostram que a provisão contra devedores duvidosos cresceu após o programa. A pesquisa levanta preocupação sobre o risco moral incentivado pelo programa. A evidência sugere que instituições financeiras, ao perceberem a garantia governamental, aumentaram o empréstimo para perfis de risco mais elevado, operando com retorno superior à taxa Selic. Para o devedor, a expectativa de futuras renegociações pode estimular a tomada de crédito mais caro. Os pesquisadores alertam que uma segunda edição do programa, como o Desenrola 2, pode validar e intensificar comportamentos de risco mais acentuados por parte de agentes financeiros e mutuários. A análise também menciona o risco de a extensão para trabalhadores MEI abrir canais de crédito para fins não produtivos, dada a baixa separação entre pessoa física e jurídica no Brasil. Como ponto de reflexão para política pública, o estudo destaca que qualquer garantia governamental gera assimetria, já que o governo é tratado como risco zero. Uma alternativa discutida seria desescalar o programa de forma clara para evitar uma desaceleração brusca do crédito, além de reforçar que programas de transferência direta podem ter externalidades mais positivas do que programas de crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/09/08/alivio-do-desenrola-sobre-endividamento-teve-efeito-temporario-aponta-estudo.ghtml
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