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Inadimplência no crédito bate recorde em mês de lançamento do novo Desenrola Brasil
Data de Adição: 2026-07-09
A inadimplência média das operações de crédito no Brasil atingiu 4,7% em maio de 2026, recorde da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. O resultado reflete a combinação de juros elevados por período prolongado, endividamento das famílias próximo de 50% da renda e a entrada em vigor da Resolução 4.966 do BC, que alterou a contabilização de créditos em atraso e provisões. Especialistas da Febraban estimam que, sem a nova regra, o indicador seria cerca de 1 ponto percentual menor. A deterioração foi generalizada nas linhas de maior risco. A inadimplência no rotativo do cartão de crédito subiu 2,4 pontos percentuais, para 63%, com taxa média de juros de 439,9% ao ano. O crédito pessoal não consignado avançou de 10,1% para 10,5%, o cheque especial de 15,6% para 16,1% e o consignado privado de 7,5% para 7,9%. Entre pessoas físicas, o indicador atingiu 5,6%, recorde histórico; entre pessoas jurídicas, subiu para 3,2%, maior nível desde 2017. O governo federal lançou o novo Desenrola em maio, com redução de até 90% do saldo devedor e uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) como garantia. Até a publicação da matéria, mais de R$ 15 bilhões haviam sido renegociados. Técnicos do BC destacam que parte do estoque renegociado (entre 361 e 720 dias de atraso) já estava excluída das estatísticas oficiais por ter sido baixada a prejuízo pelas instituições financeiras. A composição da carteira de crédito também contribui para a alta da inadimplência. O crédito a pessoa física, que representava 40% do total há 15 anos, hoje corresponde a quase 60% do estoque, com expansão de linhas sem garantia impulsionada por fintechs. A retração da antecipação do saque-aniversário do FGTS e do consignado INSS teve como contraponto o crescimento do consignado privado, produto com garantias mais fracas e inadimplência naturalmente maior. Para os próximos meses, analistas de bancos, securitizadoras e entidades do setor não veem alívio significativo. A taxa média de juros da economia recuou apenas 0,1 ponto percentual em maio, para 33,4% ao ano. A Febraban projeta estabilização no segundo semestre, com ciclo de queda da Selic e postura mais cautelosa dos bancos nas concessões. Já representantes da ABBC e da Serasa apontam riscos inflacionários, desaceleração da atividade e cenário externo incerto como fatores de pressão contínua sobre a qualidade do crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/07/01/inadimplencia-nas-operacoes-de-credito-sobe-a-47percent-em-maio-e-bate-recorde-historico.ghtml
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