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Selic cai, mas famílias e empresas ainda devem esperar por crédito mais barato
Publicado em: 26/09/2026 05:40
O Banco Central iniciou o ciclo de cortes na Selic, reduzindo-a para 13,75% ao ano, mas famílias e empresas devem esperar por crédito mais barato devido a fatores que vão além do custo de captação. Indicadores como o IBC-Br, o Monitor do PIB e a retração no varejo sinalizam desaceleração econômica, o que impacta diretamente a composição do spread bancário. O spread bancário encerrou 2025 em 21,4 pontos percentuais, refletindo o aumento do risco de inadimplência em um cenário de atividade fraca. A taxa média de concessões de crédito atingiu 32,4% ao ano, com juro real elevado, e a política monetária permanece restritiva apesar dos cortes, limitando o repasse às condições de crédito. A inadimplência no crédito às famílias subiu 1,5 ponto percentual em 2025, alcançando 5%, o que leva as instituições financeiras a adotarem posturas mais cautelosas. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) em Belo Horizonte mostram que 86,4% dos consumidores estão endividados, com 32,1% declarando impossibilidade de pagamento, destacando a pressão sobre o orçamento doméstico. O cartão de crédito é o principal instrumento de endividamento, presente em 96,2% dos casos, e consome, em média, 34,4% da renda mensal. Atrasos prolongados, com 54,4% das famílias inadimplentes há mais de 90 dias, indicam dificuldades persistentes que afetam a demanda por crédito e a concessão bancária. Projeções da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) apontam para uma Selic de 13,50% ao final de 2026 e crescimento moderado do crédito, com expansão de 8,9% em 2026. Riscos como preços internacionais do petróleo, disciplina fiscal e aumento do desemprego influenciam a trajetória dos juros e a inadimplência no médio prazo. A combinação de juros elevados, menor confiança e fragilidade na renda reduz o incentivo ao investimento e mantém a pressão sobre a recuperação de ativos e a gestão de riscos no setor financeiro.
FONTE ORIGINAL:
https://diariodocomercio.com.br/economia/custo-credito-selic-endividamento-bh
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