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Desenrola 3.0 pode beneficiar bancos; veja BBAS3, BBDC4 e ITUB4
Publicado em: 29/09/2026 20:34
O Desenrola Brasil 3.0 colocou novamente os bancos no centro das atenções do mercado. A nova fase do programa permite que a União adquira carteiras antigas de dívidas com forte desconto, abrindo espaço para que instituições financeiras recuperem parte de créditos considerados de difícil recebimento. A Medida Provisória 1.393/2026 autoriza até R$ 15 bilhões para a aquisição dessas carteiras, enquanto o governo estima que aproximadamente R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis ao programa. Esses valores não significam que os bancos receberão R$ 150 bilhões ou que o montante será transformado em lucro: o resultado dependerá das carteiras apresentadas, dos descontos oferecidos e das condições dos leilões. Na regra geral, poderão entrar no programa dívidas cujo valor original seja inferior a R$ 10 mil e que, em 25 de setembro de 2026, estivessem vencidas havia mais de 720 dias e menos de 1.645 dias. A legislação estabelece deságio mínimo de 90% e o desconto obtido deverá ser considerado na renegociação com o consumidor. Para as instituições financeiras, o principal efeito está na possibilidade de transformar créditos antigos em recursos financeiros. Parte dessas operações já pode ter sido provisionada ou baixada contabilmente como prejuízo, de modo que qualquer recuperação precisa ser analisada separadamente do desempenho normal das operações de crédito. Analistas do Goldman Sachs destacaram instituições com maior exposição a cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia, e o JPMorgan apontou possíveis impactos relacionados à utilização de ativos fiscais diferidos em instituições como Banco do Brasil e Bradesco. BBAS3 registrou lucro líquido ajustado próximo de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, retorno sobre patrimônio líquido de 8,3% e inadimplência acima de 90 dias de 5,61%. O Bradesco apresentou lucro recorrente próximo de R$ 7,05 bilhões, com ROE de 16,2%, e o Itaú registrou lucro recorrente gerencial de cerca de R$ 12,4 bilhões, com ROE anualizado de 24,3%. Entre os bancos digitais, estimativas do Bradesco BBI indicam que cerca de R$ 23,1 bilhões em créditos do Nubank poderiam estar dentro do universo potencialmente elegível, e R$ 2,4 bilhões no caso do Banco Inter — números que não representam valor garantido de venda nem recuperação financeira prevista. A execução ainda depende das etapas de regulamentação e seleção das carteiras, com chamamento dos credores em novembro de 2026, apresentação de propostas em dezembro, homologação das operações em janeiro de 2027 e primeiros repasses previstos para fevereiro de 2027. O programa poderá funcionar até 30 de junho de 2028, o que significa que os efeitos nos balanços não serão imediatos. O mercado deverá observar o volume de carteiras apresentadas, os descontos efetivamente oferecidos e separar possíveis ganhos extraordinários dos resultados recorrentes, lembrando que os até R$ 150 bilhões citados representam o universo potencial de dívidas envolvidas, e não um valor garantido de pagamento aos bancos.
FONTE ORIGINAL:
https://arevista.com.br/acoes/desenrola-3-0-pode-beneficiar-bancos-veja-bbas3-bbdc4-e-itub4
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