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Desemprego recua para 5,3%, enquanto inadimplência atinge recorde no Brasil

Publicado em: 29/09/2026 15:29
Desemprego recua para 5,3%, enquanto inadimplência atinge recorde no Brasil
O panorama econômico divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Banco Central (BC) apresenta, no mesmo trimestre, dois movimentos opostos: o mercado de trabalho segue com indicadores favoráveis, enquanto a inadimplência no crédito avança para o maior nível já registrado. No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desemprego recuou para 5,3% e a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, novo recorde da série histórica. Na mesma base de dados do Banco Central, a média de inadimplência nas operações de crédito chegou a 5% em agosto, contra 4,9% em julho. No lado do mercado de trabalho, o contingente de desocupados ficou em 5,8 milhões e o nível de ocupação — proporção da população em idade de trabalhar que está empregada — foi de 58,9%. O crescimento da ocupação, que no trimestre avançou 0,8% e em um ano chegou a 1%, concentrou-se em segmentos como construção e indústria, com estabilidade em outros setores. Economistas citados no levantamento avaliam que a desaceleração na criação de vagas e o comportamento da massa salarial exigem atenção, sinalizando um ambiente menos favorável ao consumo caso a renda das famílias perca ritmo. As contratações são apontadas como o primeiro canal de reação a uma economia mais fraca, enquanto o estoque de empregos tenderia a responder posteriormente. O aumento da inadimplência se mostra mais acentuado entre pessoas físicas, cujo indicador subiu de 5,8% para 6% no período e atingiu o maior nível desde o início da série, em março de 2011. Nas operações com empresas, o índice permaneceu em 3,3% na comparação mensal, mas já apresenta o maior percentual desde outubro de 2017, quando havia alcançado 3,4%. O cálculo considera operações com mais de 90 dias de atraso e engloba pessoas físicas e empresas. Em nota sobre a série histórica de inadimplência, o texto registra o contraste entre o endividamento em alta e um mercado de trabalho ainda aquecido. O comportamento desses indicadores ocorre em cenário de juros elevados. Economistas destacam que a combinação de crédito mais caro e de possível perda de ritmo da atividade econômica pode pressionar a situação financeira de famílias e empresas. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reforça que a condução dos juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos, inclusive inflação e condições econômicas, antes de qualquer ajuste na intensidade dos próximos movimentos da taxa básica. Na reunião mais recente mencionada no levantamento, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, o quinto corte consecutivo. Completam o cenário os dados das contas públicas: o governo registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto, em que as despesas superaram as receitas sem considerar os juros da dívida. O resultado representa melhora frente a agosto do ano anterior, quando o déficit corrigido pela inflação chegou a R$ 16,2 bilhões, e foi o melhor para o mês desde 2021, quando a marca ficou em R$ 11,8 bilhões. A evolução fiscal é acompanhada pelo mercado financeiro por sua eventual influência sobre expectativas de inflação e sobre a condução da política monetária, e sinais de desaceleração da atividade podem ampliar a discussão sobre novos cortes da Selic.
FONTE ORIGINAL:
https://rduirapuru.com.br/desemprego-recua-para-53-enquanto-inadimplencia-atinge-recorde-no-brasil
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