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Inadimplência das famílias atinge novo recorde em agosto, aponta BC
Publicado em: 29/09/2026 11:19
A inadimplência média das operações de crédito no Brasil chegou a 5% em agosto, segundo dados do Banco Central, recorde da série histórica iniciada em março de 2011. O índice avançou de 4,9% em julho para 5% em agosto, acumulando alta de 0,8% no ano e 0,9% em 12 meses. Por tipo de tomador, a taxa para pessoas físicas subiu de 5,8% para 6%, enquanto a de pessoas jurídicas ficou estável em 3,3%. Em operações de crédito livre — modalidade em que juros e regras são negociados diretamente entre cliente e banco — a inadimplência subiu de 6,4% para 6,6%, com o índice para pessoas físicas passando de 7,8% para 8,0%. No crédito direcionado, com recursos da poupança e do BNDES, a taxa avançou de 2,9% para 3,0%. O endividamento das famílias com o sistema financeiro voltou ao patamar recorde de 49,9%, ante 49,7% no mês anterior. Descontadas as dívidas imobiliárias, o indicador manteve-se em 30,8%. O comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional ficou em 28,7%, ou 26,4% sem contar empréstimos imobiliários. As concessões de crédito livre caíram 0,4% em agosto frente a julho, para R$ 647,9 bilhões, com alta de 10,6% no acumulado de 12 meses para pessoas físicas e de 11,6% para empresas. Segundo o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, a desaceleração do crédito está em linha com a posição contracionista da política monetária. O saldo total de operações no SFN cresceu 9,2% em 12 meses, em desaceleração frente ao pico de 12% registrado em maio de 2025. A taxa média de juros no crédito livre subiu de 47,7% para 48,5% em agosto, com o índice para pessoas físicas oscilando de 60,3% para 61,7%. No cartão de crédito, o rotativo alcançou 444,9% a.a. e o parcelado 192,1%, enquanto o total do cartão (rotativo somado ao parcelado) avançou de 93,1% para 97,8%. O Banco Central esclarece que essas taxas anuais resultam da extrapolação do juro mensal cobrado e nem sempre são efetivamente praticadas pelos consumidores, que costumam ficar com a dívida no cartão por dias ou semanas. O Indicador de Custo de Crédito (ICC) — que mede os juros pagos por consumidores e empresas sobre todo o estoque de operações — passou de 24,1% para 24,2%. O BC declarou que não pretende descontinuar a série, que serve como referência de tendência de custo do crédito no sistema.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/inadimplencia-familias-novo-recorde-agosto-bc
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