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Brasil bate recordes de endividamento e inadimplência em agosto, com 84 milhões negativados
Publicado em: 29/09/2026 10:44
O Brasil fechou agosto de 2026 com três registros simultâneos em indicadores de crédito e endividamento: 82% das famílias endividadas, 84 milhões de adultos com nome negativado e uma Dívida Pública Federal de R$ 9,29 trilhões. Segundo o texto, o levantamento aponta que as dívidas crescem mais rápido do que a renda, com impacto direto no orçamento das famílias, inclusive no Piauí e no Maranhão. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo manteve o índice de famílias endividadas em 82% em agosto, patamar mantido pelos seis meses anteriores e qualificado como o mais alto da série histórica. Dos lares, 29,9% tinham contas em atraso, e, dentro desse grupo, 12,5% declararam não ter condições de quitar as dívidas. O valor médio devido por pessoa negativada alcançou R$ 7.050; desde o início de 2021, a dívida média por pessoa cresceu 81%, enquanto o salário médio avançou 51%. No crédito com recursos livres, a taxa de inadimplência chegou a 6,6%, registrada pelo Banco Central do Brasil como a maior de sua série histórica, iniciada em março de 2011. A carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional foi de R$ 7,4 trilhões, com juros médios de 48,5% ao ano no crédito livre e 26,6% da renda familiar comprometidos, em média, apenas com parcelas e juros de dívidas bancárias. Entre os brasileiros que ingressaram nos cadastros de devedores em agosto, 86,72% já haviam sido negativados antes, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil. Representantes dessas entidades atribuem o fenômeno ao desequilíbrio do orçamento doméstico, em que o custo de vida e as despesas cotidianas superam os ganhos, o que resulta em acordos de renegociação não cumpridos. Especialistas citados no texto associam o quadro a juros e inflação elevados, à fragilidade da renda familiar frente aos gastos e, segundo uma professora da Faculdade Baiana de Direito, à prática de empréstimos contratados sem avaliação de capacidade de pagamento e ao uso do cartão de crédito para cobrir custos do mês. O programa Desenrola Brasil encerrou-se em agosto tendo renegociado dívidas de 9 milhões de famílias, e o Governo Federal sinalizou que estuda novas medidas para o problema do endividamento. O ministro da Fazenda classificou o Desenrola como uma primeira medida e afirmou que novas medidas serão avaliadas; representantes da Serasa e da Febraban também se posicionaram sobre o papel das renegociações e sobre o cenário macroeconômico. A Dívida Pública Federal atingiu R$ 9,29 trilhões em agosto de 2026, maior valor já registrado. O Tesouro Nacional incorporou R$ 88,39 bilhões em juros ao estoque da dívida no mês, acima do resgate líquido de R$ 84,43 bilhões, e a Dívida Bruta do Governo Geral fechou em 82,5% do PIB. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro sinalizou uma composição diferente da década de 2000, com menor participação de dívida cambial, e projeta que a Dívida Pública Federal termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
FONTE ORIGINAL:
https://somosnoticia.com.br/84-milhoes-negativados-brasil-agosto-2026
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