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Inadimplência das famílias no crédito livre atinge novo recorde e chega a 8% em agosto, mostra BC

Publicado em: 29/09/2026 09:30
Inadimplência das famílias no crédito livre atinge novo recorde e chega a 8% em agosto, mostra BC
A inadimplência das famílias no crédito livre, modalidade em que as condições são livremente pactuadas entre bancos e clientes, atingiu 8% em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central iniciada em março de 2011. Trata-se de um avanço de 0,2 ponto percentual no mês e de 1 ponto nesse segmento em 12 meses até agosto, segundo dados divulgados pela autoridade monetária. No conjunto das operações com recursos livres, a inadimplência chegou a 6,6% da carteira, com elevação de 0,2 ponto percentual em agosto, e 4,3% no caso das operações com empresas. O chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que a taxa está no nível mais elevado da série histórica da instituição nos seguintes recortes: crédito total, crédito livre, crédito direcionado e pessoas físicas. Níveis elevados de endividamento e de custo do crédito sob efeito dos juros altos continuam pressionando a renda das famílias. Em reação, o governo aposta em novas etapas do programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas. Na última semana, o governo lançou uma nova fase do programa, na qual destinará até R$ 15 bilhões para adquirir carteiras de dívidas de pessoas físicas com atraso de 2 anos a 4,5 anos nas modalidades cartão de crédito (parcelado e rotativo) e crédito pessoal, com o objetivo de renegociar ao todo R$ 150 bilhões em dívidas. O aumento da inadimplência foi observado em diversas modalidades de crédito. O rotativo do cartão saltou para 66,2% em agosto, contra 65,5% no mês anterior; o cartão de crédito como um todo atingiu o recorde de 10%, alta de 0,5 ponto percentual em relação a julho; o crédito pessoal consignado subiu para 3,8%; e o não consignado chegou a 11%, com 15,6% na opção sem garantias. A inadimplência no consignado para trabalhadores do setor privado praticamente dobrou em um ano, saltando de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto. Segundo o texto, houve uma falha na implementação do sistema que transfere automaticamente os descontos em folha quando o trabalhador troca de emprego, o que colaborou para o aumento dos índices; e apenas em junho o governo anunciou a possibilidade de oferecer o FGTS como garantia ao empréstimo pelo programa Crédito do Trabalhador. O Banco Central ponderou que parte do aumento recente nos índices oficiais de inadimplência decorre de mudanças nas regras contábeis e não de novos atrasos imediatos. Desde que a nova norma entrou em vigor, as instituições passaram a ter mais flexibilidade para definir quando uma operação será baixada a prejuízo, podendo mantê-la no balanço do banco por mais tempo se houver expectativa de recuperação do crédito. Conforme estudo do Banco Central, a fatia do efeito contábil corresponde a cerca de metade do crescimento da inadimplência registrado. O avanço dos atrasos acompanhou o aumento global das taxas de juros: a taxa média no crédito livre às famílias atingiu 61,7% ao ano, com alta de 1,4 ponto percentual em agosto, agravada pelo movimento do rotativo do cartão, que subiu 8,7 pontos percentuais para 444,9% ao ano, e do cartão parcelado, que avançou 2,8 pontos percentuais para 192,1% ao ano. O endividamento das famílias subiu e atingiu 49,9% em julho, com aumento de 0,2 ponto percentual no mês, considerando o saldo das dívidas em relação à renda disponível acumulada nos últimos 12 meses. O comprometimento de renda ficou estável em 28,7%, situando-se em relação à renda mensal das famílias. Os dois indicadores são divulgados pelo Banco Central com uma defasagem de dois meses.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/inadimplencia-das-familias-no-credito-livre-atinge-novo-recorde-e-chega-a-8-em-agosto-mostra-bc.shtml
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