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Novo Desenrola só será bom para devedor se empresas de cobrança aceitarem receber do governo menos do propõe na suas negociações

Publicado em: 29/09/2026 00:05
Novo Desenrola só será bom para devedor se empresas de cobrança aceitarem receber do governo menos do propõe na suas negociações
O texto apresenta dados do site do Serasa, que reúne quase 738 milhões de ofertas de negociação com valor de face de R$ 1,1 trilhão. Nele, 52,4% referem-se a dívidas entre R$ 100 e R$ 1.000 e apenas 5,7% acima de R$ 5 mil, com descontos de até 90%. Segundo o birô, até agosto ao menos 4.740.393 pessoas celebraram 2.898.112 acordos, com valor de face de R$ 11,8 bilhões e média de R$ 740; o Brasil registra 83,9 milhões de pessoas devendo R$ 592 bilhões em valor de face. Sobre a proposta, a coluna cita a Medida Provisória nº 1.393, de 25 de setembro de 2026, apresentada como Desenrola 3, que visaria a até R$ 150 bilhões em dívidas de famílias, com desconto mínimo de 90% e R$ 15 bilhões previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028. O governo informou que compraria carteiras bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil em valor original, com inadimplência de dois anos a quatro anos e meio, contados de 25 de setembro de 2026. O texto aponta que a conversa seria com empresas que adquirem essas carteiras por menos de 5% do valor de face, segmento conhecido como non-performing loans (NPL), incluindo securitizadoras e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). O segmento teria se organizado após a definição do Banco Central de que bancos e financeiras não devem carregar em balanço dívidas vencidas há mais de 720 dias, com provisionamento a partir de 180 dias do valor de face dos contratos. Nesse mercado, a venda de dívidas com 100% de prejuízo ocorreria por no máximo 5%, com média de 3%. A coluna sustenta que o risco é a recusa das empresas de aceitar descontos superiores a 90%, já que esse crédito não seria mais de banco, e de terceiros que compram buscando ganho de até 10% do valor de face. O saldo estaria dividido em 27,3% de contratos de bancos e administradoras de cartão, 20,1% de financeiros, 20,7% de utilities e 11,5% de empresas de serviço; a legislação permitiria carregar por até 10 anos os créditos de saneamento. Para o devedor, o texto indica que o benefício seria deixar as listas do Serasa e do SPC Brasil, mantendo o débito com credor novo, no caso, o governo. Quanto ao calendário, o texto descreve chamamento de propostas em novembro, entrega pelos credores em dezembro, homologação em janeiro e assinatura de contratos com início do repasse do deságio em fevereiro de 2027, ou seja, no próximo governo. O anúncio do programa foi feito junto com o fim das bets; empresas do setor anunciaram ir ao STF e divulgaram manifesto de oito entidades, citando a Lei nº 14.790/2023, investimentos em tecnologia e compliance e riscos apontados para o mercado ilegal.
FONTE ORIGINAL:
https://jc.uol.com.br/colunas/jc-negocios/2026/09/29/novo-desenrola-so-sera-bom-para-devedor-se-empresas-de-cobranca-aceitarem-receber-do-governo-aquilo-que-propoe-na-suas-negociacoes.html
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