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Aumento de inadimplência nos FIDCs: centenas de fundos estão com taxa de atrasos acima de 10%

Publicado em: 30/09/2026 16:31
Aumento de inadimplência nos FIDCs: centenas de fundos estão com taxa de atrasos acima de 10%
A inadimplência em FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) avançou em meio a juros elevados, crédito mais restrito e desaceleração da atividade econômica, cenário que torna os riscos mais visíveis em carteiras voltadas a empresas de menor porte ou com acesso limitado a financiamento bancário e ao mercado de capitais. Nos FIDCs multicedentes e multisacados, o atraso normalizado — percentual de créditos vencidos e não pagos sobre o total de direitos creditórios — subiu para 11,30% em março de 2026, ante 9,7% um ano antes, segundo levantamento da Uqbar. Um levantamento feito a partir de informes enviados pelos fundos à CVM mostrou que, em agosto, 279 carteiras de uma amostra de 1.860 FIDCs apresentavam inadimplência acima de 10% em relação ao patrimônio líquido. A análise desconsiderou fundos que investem em carteiras estressadas ou recebíveis judiciais e veículos com patrimônio líquido inferior a R$ 20 milhões. Em 54 fundos, o percentual de inadimplência superou 100% do patrimônio líquido. A relação decorre da contabilidade: os atrasos são medidos pelo valor original dos créditos, enquanto o patrimônio já desconta perdas reconhecidas. A reportagem aponta casos com atrasos elevados, como o Facio 4 e o Artesanal Recebíveis Imobiliários (ambos administrados pela QI), o Aldebaran II (J. Safra), o Agro Flex (Daycoval) e o Opea Agro Sumitomo Chemical, com patrimônio encolhido e inadimplência elevada. A liquidação extrajudicial da EntrePay, decretada pelo Banco Central, e a recuperação judicial da Casas Bahia afetaram carteiras ligadas a esses devedores. O Garson Card FIDC, com a EntrePay como única cedente, viu a inadimplência saltar de R$ 15,2 milhões para R$ 106,5 milhões, e suspendeu novas compras de recebíveis e fechou para resgates. No caso da varejista, o IBCB-AF01 alcançou 53,7% de inadimplência em agosto. Levantamentos da Moody's e da Fitch indicam que a maior parte das emissões recentes no mercado de capitais foi usada para gestão de passivos, refinanciamento e alongamento de vencimentos, em vez de investimentos no negócio. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, afirma que empresas seguem concentrando esforços na recomposição de caixa e no equacionamento de passivos, o que mantém o ambiente de insolvência corporativa sob pressão.
FONTE ORIGINAL:
https://investnews.com.br/investimentos/fidcs-enfrentam-aumento-da-inadimplencia-centenas-de-fundos-ja-apresentam-taxa-de-atrasos-acima-de-10
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