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Endividamento recorde é bomba-relógio para bares e restaurantes
Publicado em: 30/09/2026 10:03
O Brasil chegou a agosto de 2026 com 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, segundo o Serasa — o equivalente a 51% da população adulta. Em 2016, a marca era de 59 milhões. No mesmo período, o total das dívidas em atraso passou de R$ 348 bilhões para R$ 592 bilhões, alta de 70,1% já descontada a inflação, conforme comparação publicada em reportagem especial do UOL com base em dados do Serasa e do Banco Central. Para a Abrasel, o quadro ameaça o faturamento de bares e restaurantes no curto e no médio prazo. Segundo a entidade, cada real destinado a dívida atrasada deixa de ir para a mesa do bar e, quando o orçamento apertar de vez, o almoço fora e o jantar de sábado podem estar entre os primeiros cortes do consumidor. O crescimento da inadimplência acompanhou forte expansão do crédito: o volume concedido a pessoas físicas subiu de R$ 213,7 bilhões em 2011 para R$ 406,4 bilhões em julho de 2026, alta de 90%, de acordo com dados do Banco Central citados pela reportagem. Em junho de 2026, as famílias destinavam 28,85% da renda ao pagamento de dívidas, somando juros e amortizações. Segundo a Tendências Consultoria, em fevereiro de 2026 restavam às famílias 21% da renda após pagar itens essenciais, impostos e dívidas — o menor nível desde 2011, quando começa a série; em março de 2011, a fatia chegava a 27,2%. Estudo da CNC divulgado em abril estima que as apostas online tiraram R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026 e que as bets levaram 270 mil famílias à inadimplência severa, com atrasos de mais de 90 dias. Segundo o Serasa, 78% dos endividados ganham até dois salários mínimos, público que sustenta prato feito, self-service e lanchonete, a maior parte dos negócios do setor. O aperto também alcança os estabelecimentos: pesquisa da Abrasel feita em agosto mostra que 37% dos bares e restaurantes têm pagamentos em atraso, com impostos federais em 75% desses casos, seguidos pelos estaduais (51%) e pelos empréstimos bancários (32%). Nos últimos 12 meses, 36% dos estabelecimentos não reajustaram preços, entre os que reajustaram, a maioria ficou no nível da inflação ou abaixo dela. Para a entidade, o setor está segurando preço para não perder cliente, e essa margem tem limite.
FONTE ORIGINAL:
https://tribunahoje.com/noticias/economia/2026/09/30/195029-endividamento-recorde-e-bomba-relogio-para-bares-e-restaurantes
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