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Crédito mais caro abre espaço para operações estruturadas no agro
Publicado em: 01/10/2026 05:36
O crédito mais caro e a maior seletividade dos bancos estão abrindo espaço para operações estruturadas de financiamento no agronegócio. A CPR (Cédula de Produto Rural), instrumento já conhecido do setor, passa a ser usada em operações de maior porte e mais customizadas, nas quais o banco avalia não apenas a capacidade de pagamento, mas também a estrutura do negócio e as garantias oferecidas. Os tíquetes podem superar R$ 20 milhões e os prazos, em alguns casos, chegam a cinco anos. O custo médio das operações estruturadas pela Agrocrédito São Pedro estaria em torno de CDI mais 2 pontos percentuais. A empresa atua como estruturadora: não coloca capital próprio nas operações, mas organiza informações sobre o produtor, estrutura garantias e busca entre bancos parceiros aquele disposto a assumir o risco. A análise de crédito se tornou mais ampla, incorporando balanços, informações sobre fornecedores, revendas de insumos, operações de barter, histórico de relacionamento, situação da propriedade e, em alguns casos, relações entre CPFs e CNPJs ligados ao mesmo grupo econômico. A companhia movimenta cerca de R$ 650 milhões por ano em operações de crédito, atuando com seis a sete instituições financeiras; as cooperativas de crédito chegaram a representar cerca de 70% das operações em 2023 e 2024, enquanto em 2026 o Santander responderia por aproximadamente 90% dos negócios estruturados. A CPR ganhou espaço por permitir combinar diferentes formas de garantia — produção, imóveis rurais, máquinas e outros ativos — e estruturar o pagamento conforme o negócio. O advogado André Aidar afirma que a análise de uma CPR deve considerar não apenas a taxa de juros, mas também quais bens estão vinculados à operação e em que condições podem ser executados em caso de inadimplência. Também há distinção entre CPR física, vinculada à entrega do produto, e CPR financeira, com pagamento em dinheiro conforme as condições contratuais; em ambos os casos, uma quebra de safra não significa automaticamente o desaparecimento da dívida. O CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) tende a fazer mais sentido para empresas maiores, que precisam levantar volumes elevados para expansão, aquisição de terras ou reorganização de dívidas. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, operações cujo custo financeiro se aproxima de 17% ao ano exigem atividade capaz de gerar retorno superior ao custo para que o endividamento seja sustentável, o que leva à priorização de culturas de maior valor agregado e maior capacidade de geração de margem. A volatilidade dos preços e o risco climático são fatores centrais na avaliação: no hortifrúti, os custos de produção de batata e cebola podem ficar na faixa de R$ 80 mil a R$ 90 mil por hectare, e o alho pode chegar a R$ 200 mil a R$ 250 mil, com variações bruscas de preço dependendo da oferta. Por isso, a análise do crédito precisa acompanhar o ciclo produtivo, e não apenas uma fotografia do balanço, incluindo visita à propriedade e conhecimento das relações comerciais locais.
FONTE ORIGINAL:
https://jurua24horas.com/noticia/credito-mais-caro-abre-espaco-para-operacoes-estruturadas-no-agro
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