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Inadimplência no crédito rural tem novo recorde no País

Publicado em: 02/10/2026 04:58
Inadimplência no crédito rural tem novo recorde no País
A inadimplência no crédito rural para pessoas físicas atingiu 9,7% da carteira de recursos direcionados em agosto, segundo dados das Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central divulgados na semana. Em julho, o índice de operações com atraso superior a 90 dias havia chegado a 8,8%, marca superada em seguida. No mesmo mês de 2023, o percentual era de 1%. O crescimento se concentra em operações com atraso acima de 90 dias, com evolução contínua ao longo dos últimos anos. Na comparação com o mês anterior, a inadimplência subiu de 15,6% para 17,6% nas operações de pessoas físicas a taxas de mercado, maior nível da série histórica acompanhada pelo Banco Central desde 2011. Nos financiamentos com tarifas reguladas, o índice passou de 3,7% para 3,8%, igualmente recorde. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência alcançou 1%, índice mais alto desde o pico de 5,8% em outubro de 2020. Nas operações com taxas de mercado, o percentual ficou em 1,2%, e nas tarifas controladas, em 0,4%. O saldo da carteira de recursos direcionados das pessoas físicas era de R$ 557,7 bilhões em agosto, e o das pessoas jurídicas, de R$ 127,1 bilhões. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, afirmou que os números refletem endividamento, dificuldades financeiras e falta de liquidez no campo desde 2025, cenário que pode gerar efeito na safra 2026/27, já em plantio. Segundo o secretário, a renegociação de dívidas não tem tido capacidade de alterar o quadro no curto prazo. Há críticas, citadas no texto, a dificuldades de acesso à renegociação prevista na Medida Provisória 1.376/2026. As altas de endividamento e inadimplência têm restringido a concessão de novos financiamentos, que passaram a ser oferecidos com mais cautela, segundo o secretário. Lideranças do setor apontam que o ritmo de contratação das linhas tradicionais de crédito rural é o mais lento dos últimos cinco anos e que a área financiada pelo Plano Safra recuou. David Télio, da TerraMagna, relatou que parte dos produtores prioriza a compra de insumos para a nova safra, usando recursos da produção anterior em vez de honrar obrigações com bancos, e prevê estabilização do mercado em tempo ainda indefinido. Os juros médios cobrados de pessoas jurídicas caíram de 12% para 11,6% ao ano, enquanto em pessoas físicas se mantiveram em 11,1% ao ano.
FONTE ORIGINAL:
https://www.brasilagro.com.br/conteudo/inadimplencia-no-credito-rural-tem-novo-recorde-no-pais.html
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