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Ajuste no mercado de crédito desafia investimentos em infraestrutura
Publicado em: 02/10/2026 03:53
A deterioração das condições no mercado de crédito está dificultando a captação de recursos pelas companhias de infraestrutura. Com mais cautela diante de crises corporativas e de perdas em suas carteiras, investidores passaram a exigir maior remuneração para comprar dívida, enquanto as empresas reduziram novas emissões. O saneamento foi o setor com maior ajuste no ano. Segundo dados da Anbima, as captações por debêntures incentivadas somaram R$ 170 milhões em agosto, o menor volume mensal desde janeiro de 2019. Nos oito primeiros meses de 2026, as captações alcançaram R$ 72,8 bilhões, queda de 25,2% frente aos R$ 97,3 bilhões do mesmo período de 2025. O ajuste também aparece nos títulos já em circulação. Um levantamento da Vitrify, com dados até 28 de setembro, mostrou que o spread entre debêntures incentivadas e títulos públicos de duração equivalente subiu 48 pontos-base na mediana dos papéis comparáveis, com abertura em 90% dos títulos monitorados — cerca de R$ 601,7 bilhões de saldo devedor distribuídos em 532 emissoras. O saneamento liderou a abertura mediana, com 141 pontos-base, seguido por telecomunicações, com 93, e ferrovias, com 84. O setor de saneamento foi afetado pela piora da percepção de risco em torno da Aegea e de suas concessionárias, que atrasaram a divulgação de resultados e promoveram revisões contábeis — incluindo critérios mais conservadores para reconhecimento de receitas e perdas esperadas com contas a receber, com impacto em receitas, provisões e relação dívida/resultado operacional apresentada ao mercado. O noticiário corporativo, incluindo a crise da Raízen e dificuldades de endividamento de companhias como GPA, Braskem e CSN, contribuiu para perdas em fundos de crédito e reduziu a disposição dos investidores para assumir risco. Os efeitos incluem marcação a mercado nas carteiras de fundos, estimativas de resgates e venda de ativos, o que pressiona preços e cria um ciclo de oferta crescente em um mercado de demanda mais fraca. Participantes relatam que parte das emissões de infraestrutura de fim de 2025 não foi integralmente absorvida e que bancos estruturadores com garantia firme teriam acumulado cerca de R$ 32 bilhões em carteiras, dos quais restam cerca de R$ 10 bilhões, com potencial de prolongar a pressão nos próximos meses. As companhias emissoras permanecem cautelosas, combinando preocupações com os preços e com a indefinição eleitoral, que pode afetar o risco Brasil e, por consequência, as NTN-Bs — títulos públicos indexados à inflação que servem de referência para a precificação das debêntures incentivadas. Especialistas avaliam que o ajuste pode ter componente cíclico e já começa a criar oportunidades em títulos de empresas com fundamentos saudáveis, mas até que isso se concretize, as companhias precisam conciliar a cautela na captação com compromissos de investimento que seguem avançando, o que pode afetar o ritmo de execução das concessões.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/lucinda-pinto/infra/ajuste-no-mercado-de-credito-desafia-investimentos-em-infraestrutura
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