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Brasil chega às eleições de 2026 com mais emprego, renda e dívidas

Publicado em: 03/10/2026 16:00
Brasil chega às eleições de 2026 com mais emprego, renda e dívidas
As famílias brasileiras chegam às eleições presidenciais de 2026 com mais emprego, renda e dívidas do que em ciclos eleitorais anteriores. Enquanto o mercado de trabalho apresentou recuperação após a pandemia, a alta dos juros destinada a conter a inflação apertou o orçamento domiciliar, o que ajuda a explicar o quadro de endividamento e inadimplência, segundo analistas. Dados da CNC apontam que, em agosto, 82% das famílias tinham dívidas a vencer, o maior patamar da série histórica iniciada em 2010. Em comparação, o índice foi de 59,1% em 2010, 63,6% em 2014, 60,7% em 2018 e 79% em 2022 — todos anos de eleição presidencial. O indicador inclui compromissos com cartão de crédito, cheque especial, carnês e empréstimos. Entre as famílias com contas em atraso, a proporção de inadimplentes foi de 29,9% em agosto. O pico da série foi de 30,5% em setembro e outubro de 2025, e a marca em agosto de 2022 era de 29,6%. Outro indicador acompanha as famílias que sinalizam não ter condições de pagar as contas em atraso: em agosto de 2026, 12,5% estavam nessa condição, contra 10,8% em 2022 e pico de 13,2% em outubro de 2025. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, atribui o cenário ao impacto do aperto monetário e afirma que as famílias se endividam com frequência pelo histórico de dívidas passadas, que dificulta o reequilíbrio orçamentário. Mesmo com os juros elevados — a Selic está em 13,75% ao ano, patamar que reflete a tentativa do Banco Central de conter a inflação —, o mercado de trabalho segue com sinais de força. A taxa de desemprego ficou em 5,3% nos três meses até agosto, o menor patamar para esse trimestre na série do IBGE iniciada em 2012, e o número de pessoas ocupadas chegou a 103,5 milhões, recorde do IBGE. A renda média da população ocupada foi de R$ 3.777 por mês, o valor mais alto registrado para o trimestre finalizado em agosto. A liberação de crédito continua crescendo no país, porém em ambiente de maior pressão sobre os orçamentos e apoiada em linhas mais caras, segundo artigo do Ibre/Fundação Getulio Vargas. O texto assinado pelos pesquisadores Pedro Avelino, Flávio Ataliba Barreto e João Mário Santos de França afirma que a proporção de famílias endividadas, o comprometimento da renda e a inadimplência bancária estão em níveis recordes ou muito próximos deles, com pressão especialmente intensa entre famílias de menor renda. O relato de uma trabalhadora que foi vítima de golpe digital e de operações de crédito tomadas em seu nome de modo fraudulento ilustra os efeitos dessas tensões sobre o orçamento individual e a busca de resolução na Justiça.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/brasil-chega-as-eleicoes-de-2026-com-mais-emprego-renda-e-dividas.shtml
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