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Black Friday em risco? Incerteza nas urnas ameaça tirar R$ 62 bi do varejo
Publicado em: 03/10/2026 13:08
Um estudo do Ibevar-FIA, divulgado em 12 de setembro, revisa mais de 20 anos de vendas do varejo apuradas pelo IBGE e cruza os dados com o IBC-Br para analisar como o calendário eleitoral afeta o consumo no Brasil. Segundo o levantamento, os anos com eleição costumam estimular o comércio — por reajustes, ampliação do crédito e programas de incentivo —, com impacto máximo entre agosto e outubro. Entre 2002 e 2022, o período de votação cresceu acima do padrão dos demais anos em todas as principais linhas de varejo, chegando a 5,5 pontos percentuais no segmento de veículos. O estudo, porém, identifica dois padrões distintos. Nas disputas decididas por menos de 5 pontos percentuais, o sinal se inverteu: o varejo ficou 2,3 pontos abaixo da economia em 2014 e 4,8 pontos abaixo em 2022. Para o instituto, o que trava o consumo não é quem vence a eleição, mas a incerteza sobre o resultado — comportamento que se concentra nos bens duráveis e em compras com financiamento mais longo. Nas duas eleições com empate técnico, o varejo ampliado brasileiro ficou 5,8 pontos abaixo de seu comportamento habitual, já descontado o desempenho da economia, o que equivale a até R$ 62 bilhões em vendas adiadas em um único trimestre, segundo a conta do Ibevar-FIA. O varejo ampliado movimenta cerca de R$ 4,3 trilhões por ano, segundo a pesquisa PAC do IBGE, equivalente a R$ 1,08 trilhão por trimestre. Para 2026, o estudo aponta um nível de incerteza sem precedentes em anos de eleição presidencial: o EPU-Brasil registrou média de 238 pontos entre janeiro e agosto, ante 177 pontos no mesmo período de 2022 e 146 em 2014. Os primeiros sinais de enfraquecimento apareceram antes da campanha oficial, com o material de construção — o segmento mais afetado em 2022 — rodando 2,7 pontos atrás da economia no acumulado do ano. O levantamento descreve cenário misto em 2026: há estímulo setorial concreto, com emplacamentos de veículos crescendo 16,9% em agosto, o terceiro melhor agosto da história segundo a Fenabrave, enquanto a confiança do consumidor medida pela FGV caiu pela quarta vez consecutiva, para 84,7 pontos, com a maior queda nas expectativas (−5,4 pontos). Historicamente, o varejo ampliado cresce 1,5% no trimestre de novembro a janeiro após as eleições, contra 0,9% em anos sem votação. Nas duas eleições com empate técnico, porém, a recuperação foi bem menor — 0,1% em 2014 e 0,5% em 2022 —, conforme o estudo, que também aponta o calendário deste ano como ponto de tensão: um eventual segundo turno em 25 de outubro terminaria às vésperas da Black Friday, em 27 de novembro, e do Natal.
FONTE ORIGINAL:
https://investidor10.com.br/amp/noticias/black-friday-em-risco-incerteza-nas-urnas-ameaca-tirar-r-62-bi-do-varejo-122996
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