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Juros atingem máxima em duas décadas nos EUA e Europa e complicam ainda mais a vida do Brasil
Publicado em: 05/10/2026 05:30
A liquidação nos mercados globais de títulos, em meio a temores inflacionários, levou os juros longos dos Treasuries a máximas em duas décadas e ampliou a pressão sobre a dívida soberana europeia. O movimento combina expectativas de política monetária mais apertada por mais tempo, resiliência da economia americana, energia cara e preocupações fiscais, ao passo que investidores discutem até que ponto o boom de inteligência artificial também ajuda a empurrar os rendimentos para cima. Para o Brasil, o cenário tende a complicar o ambiente externo e reduzir a margem para cortar a Selic. Com os Treasuries oferecendo retornos maiores, investidores podem exigir remuneração também maior para manter recursos em mercados emergentes, o que pode pressionar o câmbio e elevar o custo de financiamento do governo, em um momento já marcado por alta do endividamento brasileiro. O aperto das condições financeiras já aparece em indicadores de mercado. O iTraxx Europe Crossover, que acompanha o risco de calote de empresas europeias de maior risco, subiu a 305 pontos-base, máxima em quase seis meses, enquanto o spread entre o Bund alemão de dez anos e o OAT francês de mesmo prazo chegou a cerca de 130 pontos-base, o maior nível em 14 anos, segundo a Tradeweb. A leitura sobre as causas não é uniforme. O ING estima que a inflação responde por cerca de 50% da pressão sobre os juros longos nos EUA, a narrativa fiscal por 30% e a IA pelos 20% restantes. A Capital Economics, por sua vez, atribui a alta recente "quase inteiramente" à revisão para cima das expectativas de juros de curto prazo, enquanto o BBH destaca o papel de prêmios reais de prazo mais elevados e aponta preocupação com o aumento das dívidas governamentais e com a concentração de emissões no setor de tecnologia. A oferta de dívida corporativa é um dos canais dessa pressão: as emissões em dólar somaram US$ 878 bilhões no acumulado de 2026, 54% acima do mesmo período do ano anterior, puxadas por tecnologia, mídia e telecomunicações, com maior concentração também em prazos longos. Na Europa, a França informou que a dívida pública deve subir para quase 122% do PIB, e o ING vê o spread de 10 anos ante o Bund permanecendo bem acima de 100 pontos-base, com potencial de testar a região de 150 pontos-base. Na leitura de alguns observadores, a disparada dos rendimentos soberanos globais sinaliza maior nervosismo e menor disposição dos investidores para assumir risco, com alerta de que a resiliência das bolsas à alta dos yields pode não durar indefinidamente se energia e juros continuarem avançando.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/juros-maximas-eua-europa-brasil
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Este conteúdo foi coletado e processado com o auxílio de inteligência artificial.
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