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Aceleração do IPCA na Capital expõe pressão sobre o consumo, enquanto inadimplência de 8,4% ameaça varejo
Publicado em: 06/10/2026 11:00
A aceleração da inflação oficial em Campo Grande acendeu um sinal vermelho para o comércio local. Dados do IBGE apontam que o IPCA acumulado em 12 meses subiu para 4,7% na Capital, corroendo o poder de compra e atuando como trava ao consumo, em um momento de crescentes dificuldades financeiras das famílias. Um alívio pontual veio do recuo de 6,2% na tarifa de energia elétrica residencial em agosto, decorrência do Bônus de Itaipu, mas a trajetória do custo de vida segue em aceleração. O quadro é agravado por indicadores de crédito. O Termômetro do Varejo, elaborado pela FCDL-MS, mostra que a taxa de inadimplência bancária das Pessoas Físicas em Mato Grosso do Sul saltou de 6,9% no primeiro semestre para 8,4% em julho. Na Capital, onde a renda familiar já se encontra comprometida com despesas de habitação e serviços, o encarecimento dos itens essenciais tem empurrado as famílias para o endividamento, enquanto a expansão do crédito desacelerou para 5,7% ao ano no Estado. Nesse cenário, a gestão municipal de Campo Grande passa a ser alvo de cobranças por parte do setor produtivo, que aponta a escassez de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos corredores comerciais de bairro, à manutenção da zeladoria urbana e à oferta de incentivos tributários municipais. Dados do Caged indicam que o comércio da Capital acumula o fechamento de 650 vagas formais no ano, sendo o único grande segmento da Capital com saldo negativo no emprego. Apesar dos gargalos, o comércio sul-mato-grossense demonstra resiliência no volume de vendas, impulsionado pelo varejo automotivo. O balanço do Termômetro do Varejo mostra que o volume de vendas do varejo ampliado em MS acumulou crescimento de 6,2% de janeiro a julho de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior, acelerando em relação aos 5,4% registrados no primeiro semestre. Apenas em julho, o varejo ampliado no Estado registrou salto mensal de 3,6%, desempenho superior à média nacional de 0,4%. Já o comércio varejista restrito acumulou alta de 2,5% no ano. A presidente da FCDL-MS, Inês Santiago, destaca que 72% da mão de obra em Mato Grosso do Sul está no varejo de comércio e serviço e aponta como desafios a segurança pública, a carga tributária e o acesso a linhas de crédito, citando o FCO como linha de crédito mais barata do Centro-Oeste que não chega ao varejo de comércio e serviço. A dirigente defende a revisão da carga que incide sobre o setor produtivo e afirma que a sustentabilidade do segmento exige corrigir o modelo econômico, e não o empresário ou o trabalhador.
FONTE ORIGINAL:
https://oestadoonline.com.br/economia/aceleracao-do-ipca-na-capital-expoe-pressao-sobre-o-consumo-enquanto-inadimplencia-de-84-ameaca-varejo
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