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Inadimplência de produtores rurais cresceu 10 vezes em três anos
Publicado em: 07/10/2026 05:00
A qualidade do crédito rural no Brasil deteriorou-se de forma acelerada nos últimos três anos, com a inadimplência de produtores junto a instituições financeiras crescendo cerca de dez vezes no período. Segundo o material, a alta decorre do agravamento de financiamentos problemáticos, associado à piora na capacidade de pagamento de agricultores e pecuaristas. Os saldos de operações em atraso há mais de 90 dias passaram de R$ 3,8 bilhões, em julho de 2023, para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026. Um estudo da consultoria Agroicone, com base em dados do Banco Central, identifica diferentes sinais de deterioração ao longo do caminho, incluindo a evolução do montante de recursos sob risco de inadimplência e o número de pessoas que podem ser excluídas da política de crédito. Segundo o pesquisador Cleyton Candeira Pimentel, a inadimplência é uma fotografia de operações em estágio mais grave de descumprimento, mas faz parte de um processo mais amplo de degradação da qualidade do crédito, que também aparece em atrasos, prorrogações e renegociações. No período analisado, o valor de operações identificadas como problemáticas — em atraso, prorrogadas, renegociadas ou inadimplentes — subiu de R$ 34,1 bilhões para R$ 188,8 bilhões. Os financiamentos em renegociação formam o maior bloco, com mais de R$ 100 bilhões e 410,4 mil operações, avanço de 630%. O número de operações problemáticas avançou em ritmo menor que os valores, saindo de 464,5 mil em julho de 2023, cerca de 12% do total, para 893,2 mil em abril de 2026, quase 20%. Em termos de taxas, a inadimplência passou de 3,9% para 5,4% no número de contratos e de 0,7% para 4,3% no valor financeiro. O retrato varia conforme o porte do produtor. Em abril de 2026, grandes produtores concentravam 53,8% do saldo inadimplente, cerca de R$ 20,5 bilhões, com 8% dos contratos problemáticos. Pequenos agricultores e pecuaristas respondiam por 76,7% das operações com atrasos superiores a 90 dias e 11% dos valores, pouco mais de R$ 4 bilhões. Entre os médios produtores, a taxa de inadimplência por valor foi a maior entre os públicos avaliados, de 6,1%, com 35,2% do saldo inadimplente, de R$ 13,4 bilhões. Há também divergência entre inadimplência e crédito problemático nas regiões. Na média do país, 3,97% dos contratos e 5,2% dos valores do crédito rural estavam inadimplentes em abril de 2026. No Rio Grande do Sul, com problemas climáticos extremos há seis anos, as taxas de inadimplência são menores — 1,3% das operações e 3,1% do saldo —, mas o crédito problemático alcança 34,55% dos contratos ativos e 28,80% dos valores, o que, segundo a consultoria, reforça que os dois indicadores não devem ser tratados como sinônimos.
FONTE ORIGINAL:
https://globorural.globo.com/credito-e-investimento/noticia/2026/10/inadimplencia-de-produtores-rurais-cresceu-10-vezes-em-tres-anos.ghtml
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