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Endividamento das famílias cai pela primeira vez no ano

Publicado em: 08/10/2026 20:35
Endividamento das famílias cai pela primeira vez no ano
O endividamento das famílias brasileiras recuou pela primeira vez desde dezembro de 2025. A parcela de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador estava em trajetória de alta desde dezembro do ano passado, quando marcava 80,9%, e atingiu o pico de 82,2% em abril e maio. A expectativa da CNC é que o endividamento termine o ano relativamente estável, em torno de 81,5%. No mesmo período, a inadimplência avançou entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, única das quatro faixas analisadas em que o indicador subiu, e recuou entre as que ganham até 3 salários mínimos. A parcela de famílias com dívidas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro, resultado também melhor que o de um ano antes, quando 30,5% das famílias estavam inadimplentes. O percentual de famílias que disseram não ter condições de pagar as dívidas atrasadas ficou estável em 12,5% no mês, abaixo dos 13% de setembro de 2025, e a parcela considerada muito endividada recuou de 17,9% para 17,3%. Apesar disso, o tempo médio de atraso aumentou pelo segundo mês consecutivo: em setembro, as dívidas estavam atrasadas, em média, por 65,3 dias, o maior período desde novembro de 2024, quando a média foi de 65,5 dias. Além disso, 48,9% das dívidas em atraso estavam vencidas havia mais de 90 dias. Para a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, os dados mostram uma melhora ainda pequena no quadro de endividamento, com possível influência do comportamento da renda em um mercado de trabalho resiliente e de programas de renegociação de dívidas como o Deserola Brasil 2, que permitem reorganizar pagamentos e alongar prazos. Ela não considera a queda dos juros a principal explicação para o movimento. A pesquisa também mostra aumento na parcela de famílias sem dívidas a vencer, que passou de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro. O comprometimento da renda segue elevado: em média, as famílias destinam 29,6% da renda ao pagamento de dívidas, e para 19,4% delas mais da metade da renda mensal está comprometida, o maior percentual desde fevereiro, quando havia sido 19,5%. As dívidas com vencimento superior a um ano representaram 33,8% do total em setembro, e segundo Juliana prazos mais longos reduzem o peso das parcelas no curto prazo, mas prolongam o comprometimento da família, de modo que a renegociação pode aliviar a prestação mensal sem eliminar a dívida.
FONTE ORIGINAL:
https://www.osul.com.br/endividamento-das-familias-cai-pela-primeira-vez-no-ano
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