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Endividamento das famílias cai pela 1ª vez no ano; inadimplência recua nas menores rendas e cresce nas maiores
Publicado em: 08/10/2026 12:16
O endividamento das famílias brasileiras recuou pela primeira vez desde dezembro de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da CNC. A parcela de famílias com dívidas passou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, interrompendo uma sequência de alta que levou o indicador a 82,2% em abril e maio. A CNC projeta que o indicador encerre o ano relativamente estável, em torno de 81,5%. A inadimplência diminuiu entre as faixas de menor renda e avançou na mais alta. Entre famílias com renda de até 3 salários mínimos, o percentual de inadimplentes caiu de 38,8% para 38,5%; entre as de 3 a 5 salários, foi de 28% para 27,8%; e entre as de 5 a 10 salários, de 20,3% para 20,2%. Apenas na faixa acima de 10 salários mínimos o indicador subiu, de 14,9% para 15%, o que a economista Juliana Inhasz (Insper) atribui não necessariamente a deterioração financeira, mas à possibilidade de consumidores optarem por parcelar compras enquanto mantêm recursos aplicados, especialmente em renda fixa. No agregado, o percentual de famílias com dívidas em atraso caiu de 29,9% em agosto para 29,6% em setembro, abaixo dos 30,5% de setembro de 2025. A parcela de famílias que se declaram sem condições de pagar as dívidas atrasadas ficou estável em 12,5%, e a de muito endividadas recuou de 17,9% para 17,3%. Aumentou, porém, o tempo médio de atraso: as dívidas estavam vencidas, em média, por 65,3 dias, o maior nível desde novembro de 2024, e 48,9% das dívidas em atraso superavam 90 dias. O comprometimento da renda segue elevado. Em média, as famílias destinam 29,6% da renda ao pagamento de dívidas, e 19,4% delas comprometem mais da metade da renda mensal — o maior percentual desde fevereiro. A parcela de dívidas com vencimento superior a um ano subiu para 33,8% do total, movimento que, na avaliação de Juliana, pode aliviar o peso das parcelas no curto prazo, mas prolonga o período de comprometimento. A economista também aponta a previsibilidade da renda como critério relevante para famílias de menor faixa e alerta para o parcelamento de consumo imediato, que cria passivos para meses seguintes sem correspondente na fruição do bem ou serviço. Entre famílias sem dívidas a vencer, houve alta: de 17,4% em agosto para 18,1% em setembro. A economista vê a melhora ainda pequena e associa o movimento a fatores como o mercado de trabalho resiliente e programas de renegociação, como o Deserola Brasil 2, que permitem reorganizar pagamentos e alongar prazos. Ela não considera a queda dos juros a principal explicação para o recuo do endividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/08/inadimplencia-pesquisa-renda-cnc.ghtml
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