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Capital mínimo leva a MAPS a comprar a DTVM que já abastecia
Publicado em: 08/10/2026 10:00
A revisão do cálculo de capital mínimo promovida pelo Banco Central começa a produzir efeitos societários concretos. A distribuidora de títulos e valores mobiliários Lastro RDV, de Araras (SP), receberá aportes graduais da MAPS Pay, instituição de pagamento do Grupo MAPS, que terá opção de compra sobre 100% das quotas. Para os atuais sócios — Marco Aurélio Russo e os irmãos Gino e Gilberto Della Volpe —, o negócio configura um desinvestimento, e o motivo declarado está na regulação. O aporte busca adequar o capital social da Lastro à Resolução Conjunta nº 14/2025, editada pelo CMN e pelo BC em novembro de 2025, que passou a calcular o piso patrimonial pelas atividades efetivamente exercidas por cada instituição, e não mais pelo tipo de licença. No Relatório de Estabilidade Financeira de maio, o Banco Central estimou que 679 das 1.751 instituições analisadas podem ficar desenquadradas quando a regra estiver integralmente em vigor, em janeiro de 2028, com deficiência projetada de R$ 8 bilhões, equivalente a 0,5% do patrimônio de referência do sistema. A concentração do problema se dá em casas de menor porte, que precisam escolher entre aportar recursos, reduzir atividades ou buscar um sócio. Desde 1º de julho, as instituições precisam cobrir 25% da diferença entre o piso antigo e o novo, com elevações para 50% em janeiro de 2027 e 75% em julho do mesmo ano. A Lastro acumula licenças que pesam no cálculo — administração fiduciária, custódia, controladoria, escrituração de fundos, coordenação de ofertas de debêntures, CRIs e notas comerciais, câmbio e representação em leilões da B3. O comprador já é fornecedor da distribuidora: a MAPS Soluções, do mesmo grupo da MAPS Pay, fornece os sistemas usados pela Lastro em administração fiduciária, custódia, controladoria e escrituração. A MAPS desenvolve softwares de precificação, risco, custódia e back office para bancos, gestoras e fundos, e com a DTVM passa a controlar também a ponta regulada que antes apenas abastecia com tecnologia. As partes citam automação, conciliação e liquidação integradas, com menos processos manuais; não há cláusula de não concorrência no acordo e o valor da operação não foi divulgado. Em escala, a Lastro é residual: administrava R$ 790,5 milhões em fundos em julho, 0,01% dos R$ 11,16 trilhões do mercado segundo a ANBIMA, e custodiava R$ 6,87 bilhões, 0,06% do total doméstico. Na controladoria de passivos, respondia por 16 veículos entre 34.806 registrados em agosto, com foco declarado em fundos estruturados como FIDCs, FIPs e FIIs. A conclusão do negócio depende de aprovação do Banco Central.
FONTE ORIGINAL:
https://capitalaberto.com.br/empresas/2026/10/capital-minimo-leva-a-maps-a-comprar-a-dtvm-que-ja-abastecia
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