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A conta do endividamento: Brasil deixará de vender três milhões de smartphones em 2026
Publicado em: 08/10/2026 07:55
O endividamento das famílias brasileiras tem impacto direto no mercado de smartphones, com projeção de queda de 8% no volume de vendas em 2026, equivalente a cerca de três milhões de unidades a menos. O Brasil, que hoje vende acima de 35 milhões de aparelhos por ano, enfrenta o efeito combinado de juros elevados e queda do poder de compra. Segundo o CEO da Motorola Brasil, Rodrigo Vidigal, o segmento mais afetado é o consumidor de entrada e de baixa renda, que frequentemente não consegue aprovação de crédito e precisa postergar a compra. Cerca de 60% das vendas no país concentram-se em aparelhos de até R$ 1,5 mil — a faixa que sofre o maior impacto. Os consumidores de topo de linha, que representam os 40% restantes, sentem menos essa pressão. O executivo aponta juros elevados, desequilíbrio fiscal e tributação complexa como fatores que afetam tanto o consumo quanto a competitividade da indústria local. A empresa deixou de exportar para a América Latina, argumentando que hoje é mais barato trazer produtos da China do que receber das fábricas brasileiras, diante de custos tributários, trabalhistas e logísticos adicionais. Outro ponto levantado é o contrabando, com produtos ilegais encontrados em marketplaces a preços de 35% a 40% abaixo do varejo oficial. Para o executivo, a simplificação tributária poderia reduzir essa distorção e tornar o mercado mais equilibrado. A Motorola, controlada pela Lenovo, ocupa 30% do mercado nacional e é a segunda colocada no geral, atrás da Samsung. A empresa aposta no crescimento no segmento ultrapremium, com a linha Signature, cujo portfólio premium cresceu 57% no último ano e já representa mais de um terço das vendas da marca.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/negocios/a-conta-do-endividamento-brasil-deixara-de-vender-tres-milhoes-de-smartphones-em-2026
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