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Fintechs ampliam oferta de crédito, mas ainda estão longe de fazer sombra aos grandes bancos
Publicado em: 19/07/2026 12:00
As fintechs aumentaram sua participação na concessão de crédito no Brasil, alcançando 4,5% do mercado no primeiro trimestre de 2026, contra 3,5% no mesmo período de 2025. As cinco maiores fintechs (Nubank, Inter, C6, Mercado Pago e XP) concederam R$ 354,6 bilhões em crédito nesse período. Em contraste, os cinco maiores bancos (Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Santander e Bradesco) detiveram 64,8% do mercado, com R$ 5,127 trilhões em operações. O crescimento das fintechs tem sido impulsionado pelo crédito consignado, que ganhou espaço nas carteiras além do cartão de crédito. Pesquisa da PWC com a Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) mostra que a concessão de empréstimos pelas fintechs cresceu 330 vezes na última década, atingindo R$ 10,4 bilhões. O consignado para trabalhadores privados foi o principal produto, com R$ 7,1 bilhões, seguido pelo crédito com garantia, que passou de 40% para 86% dos produtos ofertados entre 2019 e 2025. Especialistas apontam que a competição no crédito avança lentamente, mas é natural em um mercado de grande escala e baseado em confiança. O professor Rafael Schiozer, da FGV, destaca que o sucesso do consignado privado se deve ao modelo de solicitação, que permite ao trabalhador comparar propostas de diferentes instituições. Esse mecanismo funcionou como um Open Finance simplificado para um produto específico, superando barreiras de distribuição enfrentadas pelas fintechs. O Open Finance, criado pelo Banco Central para compartilhar dados entre instituições, tem funcionado aquém das expectativas para promover a portabilidade de crédito. A Zetta, associação que representa grandes fintechs, defende que o BC amplie o Open Finance e a portabilidade de crédito e salário, além de revisar a taxa de Ressarcimento de Custo de Originação, que onera a portabilidade. Para os executivos do setor, o foco regulatório deve se deslocar da segurança para a competição, garantindo maior fluidez dos recursos no sistema financeiro. Apesar do avanço, as fintechs ainda estão longe de ameaçar a liderança dos bancos tradicionais. A concentração bancária caiu de 74,3% em 2016 para 64,8% em 2026, indicando uma abertura gradual do mercado. No entanto, a falta de mobilidade dos clientes e a força das instituições estabelecidas exigem medidas regulatórias adicionais para acelerar a concorrência, especialmente em segmentos como crédito pessoal e para baixa renda.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/economia/financas/noticia/2026/07/19/fintechs-ampliam-oferta-de-credito-mas-ainda-estao-longe-de-fazer-sombra-aos-grandes-bancos.ghtml
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