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Contas básicas: 1 em 4 faz dívidas ou usa poupança
Publicado em: 11/10/2026 10:50
Em setembro de 2026, 24,9% da população precisou contrair dívidas ou recorrer ao dinheiro guardado para pagar despesas básicas, como contas de água, energia elétrica e gás, segundo levantamento do FGV Ibre. Trata-se do maior percentual registrado para setembro desde 2022, quando o indicador chegou a 25,4%, e o resultado se aproxima dos níveis observados durante a recessão de 2015 e 2016. O dado é relevante porque endividamento e uso de reservas financeiras estão sendo utilizados para cobrir despesas recorrentes, e não apenas compras de maior valor ou situações extraordinárias. Isso indica que parte dos consumidores precisa recorrer ao crédito ou retirar recursos acumulados anteriormente para manter compromissos mensais, como contas de consumo e outros gastos indispensáveis. O economista Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre, avalia que a estabilização do mercado de trabalho tem reduzido a capacidade de compensar o peso das dívidas sobre as famílias. Segundo ele, o elevado endividamento dificulta uma melhora mais consistente na percepção financeira das famílias, mesmo com recuperação dos rendimentos do trabalho. As dificuldades para pagar despesas básicas não estão restritas a famílias de menor renda. Entre brasileiros com renda familiar superior a R$ 4,8 mil, 25,7% relataram necessidade de contrair dívidas ou utilizar recursos guardados, contra 24,3% na faixa de até R$ 4,8 mil. Tobler observa que essa diferença pode representar um movimento pontual de setembro, influenciado também por programas de renegociação de débitos. O quadro se soma ao elevado número de consumidores com dívidas em atraso. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, o Brasil encerrou agosto de 2026 com quase 84 milhões de pessoas inadimplentes, das quais 20,7% das pendências estavam relacionadas a contas básicas. Em São Paulo, as contas básicas representavam 28,58% das pendências, percentual superior ao do conjunto do país. Outro levantamento da FGV Ibre aponta que o Índice de Confiança do Consumidor recuou pelo quinto mês consecutivo em setembro, chegando a 84,2 pontos, menor nível desde novembro de 2022, influenciado principalmente pela piora das expectativas para os próximos meses.
FONTE ORIGINAL:
https://40graus.com.br/contas-basicas-dividas-poupanca-brasileiros
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