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Brasil lidera em Pix, mas app de banco deixa de ser destino
Publicado em: 12/10/2026 12:33
O Brasil consolidou-se como referência global em pagamentos instantâneos e compartilhamento de dados financeiros, mas o aprimoramento do sistema financeiro digital depende de quatro movimentos estruturais, segundo análise do cofundador da Pluggy, Bruno Loiola, sobre a edição do Oriente Médio do Money20/20, em Riad. O Pix registrou 80 bilhões de transações em 2025 e mais de 100 milhões de clientes conectados via compartilhamento de dados, o que coloca o país como caso de referência — e faz o debate internacional se concentrar justamente no que ainda precisa evoluir. O primeiro movimento aponta o esvaziamento do aplicativo bancário como destino final da jornada financeira, impulsionado pelo embedded finance: a empresa que controla a experiência do cliente pode não ser a que detém a custódia dos recursos. O espaço deixado pelo app passa a ser ocupado por agentes de inteligência artificial capazes de comparar taxas e alternativas de forma contínua, reduzindo atritos que antes sustentavam parte relevante do lucro em serviços financeiros. O ponto em aberto é a responsabilidade pelas transações executadas de forma autônoma por esses agentes, para a qual ainda não há resposta jurídica adequada no Brasil. O segundo movimento trata da identidade digital, que ganha função adicional de registrar o que os agentes de IA estão autorizados a fazer, em nome de quem e até que limite. O gov.br reúne 175 milhões de usuários e serve para comprovar identidade, mas ainda não opera como carteira de credenciais verificáveis entre instituições, mantendo KYC próprio em cada financeira. Como vantagem competitiva, a revogação de consentimentos para uso de dados integra o Open Finance brasileiro desde o início da operação. No terceiro movimento, o crédito é tratado como questão de quantidade e eficiência de dados. O Crédito do Trabalhador destravou R$ 117 bilhões em um ano, mas estudo da Zetta aponta que 61,5% das consultas de Open Finance no Brasil são desperdício, já que instituições receptoras precisam consultar periodicamente as transmissoras e, na maior parte das vezes, recebem informações já conhecidas. Loiola também aponta a ausência de métrica pública de crédito originado pelo compartilhamento de dados, como existe na Índia, e a dificuldade do consumidor de compreender e contestar decisões automáticas de inelegibilidade geradas por modelos com dezenas de variáveis. O quarto movimento é regulatório. O banco central saudita criou incentivos para aproximar fintechs e regulador; no Brasil, o Banco Central firmou cooperação com a Fenasbac para viabilizar o Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT). Ainda assim, o instrumento central segue sendo o ciclo de consulta pública, análise e norma, desenhado para um horizonte de anos — o que leva à discussão sobre a adoção de loops mais curtos de feedback, com métrica pública e revisão programada, sem redução de rigor. De volta ao país, o quadro se resume em três perguntas que definem a disputa: quem controla a experiência quando o produto financeiro chega por canais distintos, quem define permissões quando o agente que age não é humano e quem responde quando o sistema erra. Brasil tem trilho, consentimento, revogação e escala, mas, com a experiência separada da custódia, quem lidera a corrida estabelece regras para os concorrentes que vêm depois.
FONTE ORIGINAL:
https://www.spacemoney.com.br/tecnologia/brasil-pix-app-banco-embedded-finance
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