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O limite da biometria diante da fraude com deepfake no Brasil
Publicado em: 13/10/2026 18:19
Uma selfie enviada em um suposto processo seletivo de emprego pode se tornar, meses depois, a credencial usada para abrir uma conta bancária ou obter um empréstimo em nome da vítima. O cenário, descrito pela empresa de identidade digital e prevenção a fraudes VU, ilustra o ponto central do debate: a biometria facial, usada como única prova de identidade, deixou de ser suficiente diante da sofisticação dos deepfakes. Segundo levantamento da companhia, que combina dados próprios com estatísticas da Polícia Federal e da Febraban, o uso de conteúdo sintético em fraudes saltou 830% entre 2024 e 2025. Em 2026, esse tipo de golpe já representa 6,5% de todas as fraudes detectadas no país, ante 0,1% registrados em março de 2025. O tema não é exclusivo do Brasil. Segundo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, o país concentrou 39% dos casos de deepfake da América Latina em 2025, com aumento de 126% nos ataques que combinam imagens, vozes e identidades falsas. Golpes com inteligência artificial causaram R$ 1,8 bilhão em prejuízos a bancos e infraestrutura financeira entre julho de 2025 e abril de 2026, e 42,5% das fraudes financeiras do país em 2025 já envolviam alguma ferramenta de IA. Para Sebastián Stranieri, CEO e fundador da VU, o vetor principal de vulnerabilidade no Brasil é a validação de identidades com dados estáticos, como CPF e RG, já vazados na dark web — e não falhas de sistema. Discutido no Evento Deepfake 2026, realizado pela VU em parceria com a Globant em São Paulo, o problema foi detalhado por Leonardo Cesário, Delivery & Sales Engineer da empresa. Ele argumenta que a ferramenta mudou, mas a metodologia de fraude não: o deepfake é aplicado por golpistas sem conhecimento técnico avançado, em operação que remete à engenharia social. Sua recomendação é abandonar a biometria como "bala de prata" e adotar camadas de segurança — anti-spoofing, liveness ativo, liveness passivo, autenticação baseada em risco e autenticação robusta — lembrando que biometria isolada não configura autenticação multifator (MFA). Em auditoria de 110.396 avaliações de prova de vida em ambiente real de pagamentos digitais, ao longo de seis dias, a VU encontrou conteúdo sintético em 0,45% do tráfego, cerca de 1 a cada 220 avaliações. Além disso, 0,59% dos ataques foram barrados antes da prova de vida primária e 1,04% exigiram camada integrada, indicando que nenhuma autenticação isolada basta e que, em alguns casos, são necessárias até três avaliações por autenticação. O mesmo racional se aplica à origem dos dados usados nos golpes. Ao capturar biometria de forma voluntária, a vítima alimenta bases que podem ser usadas para abrir contas ou solicitar crédito. A VU estima que 15% das identidades já cadastradas em bases corporativas possam ser identidades sintéticas, perfis que misturam dados reais da vítima com informações forjadas — o que torna a sanitização periódica das bases tão relevante quanto o bloqueio do ataque no ato. A empresa também aponta que ataques de injeção contra iOS dispararam mais de 1.100% no segundo semestre de 2025. Casos reais ilustram o risco residual: no Ceará, em 2026, criminosos usaram fotos vazadas de pessoas de alta renda para abrir contas em bancos digitais, com o suspeito identificado apenas ao cruzar sua selfie com bases de outra instituição. Em episódio anterior, em Hong Kong, um funcionário financeiro autorizou transferência de cerca de US$ 25 milhões após videochamada em que todos os participantes, incluindo o diretor financeiro, eram gerados por deepfake. Para Cesário, o principal ponto cego do mercado é a distinção entre ataque de apresentação, coberto por certificações como iBeta Nível 1 e 2, e ataque de injeção, no qual mídia sintética é inserida diretamente no aplicativo via câmeras virtuais ou hooks de SDK, sem passar pela câmera física.
FONTE ORIGINAL:
https://www.computerweekly.com/br/reportagen/O-limite-da-biometria-diante-da-fraude-com-deepfake-no-Brasil
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Este conteúdo foi coletado e processado com o auxílio de inteligência artificial.
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