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Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres

Publicado em: 13/10/2026 15:50
Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres
Dados do Banco Central mostram que o saldo devido em cartão de crédito rotativo e cheque especial cresceu entre os mais ricos e recuou entre as faixas de menor renda nos últimos três anos. O saldo devido por quem ganha acima de dez salários mínimos nessas modalidades teve alta real (descontada a inflação) de 93% entre julho de 2023 e o mesmo mês de 2026. O peso da faixa no total emprestado saltou de 13,1% para 23,3%, com o saldo chegando a R$ 30,3 bilhões. Levantamentos no Sistema de Informações de Créditos (SCR) do BC indicam que quanto maior a faixa de renda do tomador, maior foi o crescimento do uso desse crédito. A maior alta ocorreu entre quem ganha acima de 20 salários, cuja participação no estoque quase dobrou — de 5,3% em 2023 para 10,5% em 2026. Entre os que ganham de 5 a 10 salários, o peso avançou de 13,8% para 17,2%. Já entre os que ganham até 5 salários, o saldo do rotativo e do cheque especial teve queda de 10,6% em termos reais, com o peso no total recuando de 69,4% para 57,4%. Segundo especialistas em crédito citados na reportagem, a piora nas condições financeiras das classes mais altas ocorre em paralelo ao redirecionamento da oferta de crédito pelas instituições financeiras para públicos de maior renda, como forma de amortecer a inadimplência elevada na baixa renda após a pandemia. Dados da Febraban mostram que, de 2023 para 2026, o calote no rotativo e no cheque especial avançou a ritmo maior entre os mais ricos: na faixa de 10 a 20 salários, subiu 14 pontos percentuais, chegando a 40,4% em julho de 2026. Na faixa de 1 a 2 salários, o índice ficou próximo de 56%. O rotativo e o cheque especial são linhas emergenciais entre as mais caras do mercado, com juros mensais de 15,18% e 7,43%, respectivamente, segundo dados de agosto do BC. Desde 2024, uma norma estabelece que a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão não pode superar o dobro do montante original, com a taxa de juros acumulada limitada a um teto de 100% do valor da dívida contraída. Economistas apontam múltiplos fatores para o movimento: deterioração das finanças de classes média e alta, compromissos acumulados entre 2015 e 2022, aumento da oferta de crédito para rendas mais altas, crise no agronegócio — já que muitos produtores recorrem a essas modalidades como pessoa física — e componentes comportamentais ligados ao consumo aspiracional impulsionado pelas redes sociais. Na avaliação de especialistas, juros elevados e oferta de crédito predatório atingem o mercado como um todo, com a baixa renda permanecendo mais vulnerável por ter menos mecanismos de proteção.
FONTE ORIGINAL:
https://www.jornaldotocantins.com.br/economia/uso-de-rotativo-e-cheque-especial-dispara-entre-os-mais-ricos-e-encolhe-entre-os-mais-pobres-1.3467758
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