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Intenção de consumo melhora em BH, mas endividamento ainda limita compras

Publicado em: 13/10/2026 09:56
Intenção de consumo melhora em BH, mas endividamento ainda limita compras
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Belo Horizonte registrou ligeira melhora em setembro, avançando 0,4 ponto sobre agosto e chegando a 86,4 pontos. O indicador, calculado pela CNC e analisado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência e Pesquisa da Fecomércio MG, permanece abaixo dos 100 pontos, limite que separa as zonas de insatisfação e satisfação. A leitura da Fecomércio-MG aponta cenário de sinais distintos: emprego e renda sustentam parte da confiança, mas o comprometimento financeiro das famílias restringe a disposição para gastar. Entre os entrevistados, 54,2% afirmaram comprar menos do que há um ano, contra 18,8% que consomem mais. O indicador de consumo atual recuou de 65,5 para 64,6 pontos em setembro, abaixo dos 68,7 pontos do comparativo do mesmo mês. Em contrapartida, o indicador de perspectiva de consumo subiu para 105,1 pontos, alta de 1,7 ponto sobre agosto, com 38,5% esperando consumir mais nos próximos meses. Segundo a economista Gabriela Martins, a expectativa está ligada à sazonalidade do fim de ano — Black Friday, Natal e pagamento do 13º salário — e não representa necessariamente recuperação estrutural do poder de compra, já que parte dos recursos adicionais tende a ser destinada à quitação de dívidas e à recomposição do orçamento. A cautela é maior em bens de maior valor. Em setembro, 73,9% dos entrevistados consideraram o momento desfavorável para adquirir eletrodomésticos, móveis e eletrônicos, e o indicador de condições para a compra de bens duráveis caiu de 54,4 para 51,9 pontos, o menor patamar entre os componentes analisados. Entre os fatores apontados estão o custo do crédito, com a Selic em 13,75% ao ano encarecendo o parcelamento, e o grau de endividamento: 85,8% das famílias de BH estão endividadas, com o cartão de crédito presente em 96,2% dos casos. Em média, os compromissos financeiros consomem 35,2% da renda familiar, o que leva parte dos consumidores a adiar compras de bens caros e a destinar parte do 13º salário à quitação de dívidas.
FONTE ORIGINAL:
https://diariodocomercio.com.br/economia/icf-belo-horizonte-consumo-cautela
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