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O retrato de R$ 147,3 bilhões em dívidas no saneamento brasileiro

Publicado em: 15/10/2026 19:46
O retrato de R$ 147,3 bilhões em dívidas no saneamento brasileiro
Um levantamento inédito da plataforma de dados Vitrify mapeia R$ 147,3 bilhões em dívidas no setor de saneamento básico brasileiro, distribuídas em 187 operações e 242 instrumentos financeiros, incluindo debêntures, CRIs, CRAs e CRs. Cerca de 40% do estoque (R$ 59,5 bilhões) está em debêntures incentivadas, enquanto as demais debêntures somam R$ 87,8 bilhões. Em volume integralizado, o setor equivale a 9,2% do estoque de debêntures e 0,07% do estoque de CRI registrados na B3. A concentração de crédito no setor é marcante. Aegea (R$ 55,1 bilhões, 37,4%) e Sabesp (R$ 28 bilhões, 19%) respondem conjuntamente por 56% do saldo devedor total. Iguá (9,7%), BRK Ambiental (7,7%) e Copasa (5,4%) completam o ranking das cinco maiores devedoras. No mercado secundário, embora o volume negociado no ano tenha sido expressivo (R$ 58,8 bilhões), 68 instrumentos financeiros não registraram nenhum negócio, indicando bolsões de baixa liquidez. Adicionalmente, 40% dos IFs não possuem garantia — dado sensível para um setor intensivo em Capex e contratos de longo prazo. O relatório também identifica as instituições financeiras com maior exposição aos papéis de saneamento em suas carteiras. Itaú Unibanco lidera com R$ 13,28 bilhões (9% de saldo e 17 contrapartes), seguido por Kinea (R$ 7,35 bilhões, 5% de saldo, 14 contrapartes) e Santander (R$ 4,28 bilhões, 2,9% de saldo, 12 contrapartes). O saneamento aparece como quarto maior setor em estoque de crédito privado brasileiro, atrás de energia, infraestrutura e transporte, e serviços financeiros. Analistas de mercado apontam riscos estruturais associados ao modelo de financiamento do setor. Entre eles, a dependência de debêntures incentivadas, a desigualdade de liquidez no secundário, a possibilidade de descasamento entre a duração da dívida e o prazo das concessões, e riscos político-regulatórios em operações específicas. O custo de emissão elevado em operações recentes — como o pagamento de 14% pela Aegea em 2024 — é citado como sinal de alerta para investidores. O setor enfrenta, ainda, o desafio do marco de universalização do saneamento até 2033, que exige investimentos estimados em mais de R$ 700 bilhões. A execução prática dos leilões tem revelado gargalos: projetos complexos, exigências de investimento acima do previsto e dificuldades para estruturar concessões financeiramente viáveis, levando governos e investidores a adotar postura mais cautelosa.
FONTE ORIGINAL:
https://neofeed.com.br/economia/o-retrato-de-r-1473-bilhoes-em-dividas-no-saneamento-brasileiro
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