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Reincidência na inadimplência tem o pior agosto da série e pressiona o varejo
Publicado em: 15/10/2026 16:57
Em agosto, 87% dos consumidores que entraram na inadimplência já tinham passado por ela antes, segundo o Indicador de Reincidência da CNDL e do SPC Brasil, divulgado em 24 de setembro. O resultado marca o pior agosto da série histórica das entidades. Quase sete em cada dez negativados no mês ainda não haviam quitado dívidas anteriores quando voltaram ao cadastro, e cerca de 18% tinham conseguido limpar o nome nos 12 meses anteriores e retornaram. Para o varejo, o dado descreve uma restrição financeira recorrente na decisão de compra, e não um episódio isolado. O efeito aparece no caixa antes de chegar ao indicador: queda de tíquete, menos itens por compra, troca por marcas de menor desembolso, adiamento de compras sem data definida e maior peso de promoção e prazo de pagamento na escolha. Com menos renda disponível, categorias essenciais preservam espaço com mais facilidade, enquanto as demais disputam o mesmo dinheiro, ampliando a competição para além do interior de cada categoria. Nesse ambiente, intenção e capacidade de compra se afastam: o consumidor pesquisa, compara e visita a loja, mas pode sair sem comprar porque nenhuma condição apresentada cabe no orçamento do mês. O crédito — parcelamento, prazo e facilidade de pagamento — ganha importância para preservar vendas e ampliar acesso, mas a qualidade da venda só se confirma quando as parcelas começam a vencer, com efeito sobre margem, recorrência e risco. O texto defende que a gestão de crédito seja conectada ao que acontece após a aprovação: retorno à loja, evolução do tíquete e concentração de inadimplência por prazo e perfil. Quando essas leituras ficam restritas à área financeira, a empresa enxerga apenas parte do problema; cruzadas com dados de venda, elas indicam quais condições comerciais preservam consumo, recorrência e rentabilidade. A CNDL e o SPC Brasil também mostram que cresceu, nos 12 meses encerrados em agosto, o número de consumidores que saiu das listas de negativados, concentração entre quem levou de três a quatro anos para quitar todas as dívidas. Em agosto, mais da metade dos que limparam o nome pagou até R$ 500, enquanto a média paga ficou próximo de R$ 2,5 mil — situações financeiras distintas sob a mesma classificação, com capacidade de gasto e disposição para novas parcelas diferentes. Sinais como queda de frequência, redução de tíquete, migração entre categorias e maior sensibilidade a preço costumam anteceder a negativação e já existem nas redes, mas chegam fragmentados às áreas comercial, financeira e de produto. A integração entre crédito, portfólio e dados de venda é apresentada como condição para ajustar prazo, oferta, faixa de preço e condição comercial antes da mudança de comportamento se converter em inadimplência.
FONTE ORIGINAL:
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/reincidencia-na-inadimplencia-tem-o-pior-agosto-da-serie-e-pressiona-o-varejo
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