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Juros Freiam o Varejo, Mas o Que Ainda Impede a Economia Brasileira de Desacelerar?

Publicado em: 15/10/2026 14:44
Juros Freiam o Varejo, Mas o Que Ainda Impede a Economia Brasileira de Desacelerar?
As vendas do varejo brasileiro perderam força em agosto, em um cenário apontado como sinal de que os juros elevados começam a pesar sobre o consumo. O varejo restrito, que exclui veículos e materiais de construção, avançou apenas 0,1% em relação a julho na série com ajuste sazonal, segundo o IBGE, resultado abaixo da mediana das projeções de mercado, de 0,7%, e da estimativa do C6 Bank, de 1,9%. No varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, houve recuo de 0,2%, contra projeção de alta de 3,3% do banco. A principal fraqueza concentrou-se nos segmentos mais dependentes de crédito: móveis e eletrodomésticos recuaram 4,2% no mês, veículos caíram 1% e materiais de construção, 2%. Segundo Claudia Moreno, economista do C6 Bank, os segmentos mais sensíveis ao crédito vêm apresentando desempenho mais fraco, sinal de que os juros altos pesam sobre as vendas desses produtos. A pequena alta do varejo restrito em agosto não compensou a queda de 0,8% registrada em julho, e, na média móvel trimestral, as vendas recuaram 0,1% no restrito e 0,3% no ampliado. O movimento não representa uma retração generalizada: o mercado de trabalho aquecido e a expansão dos gastos públicos seguem sustentando a renda das famílias, enquanto o custo do crédito e o peso das dívidas limitam a disposição para consumir. Para Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, o comprometimento da renda das famílias com dívidas, em patamar historicamente elevado, reduz o espaço para o consumo, sobretudo de bens financiados. Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, descreve um consumidor mais seletivo, que continua comprando, mas avalia com maior cuidado onde comprometer a renda. Minotto observa ainda que a receita nominal do varejo avançou mais do que o volume vendido. O desempenho do comércio reforça as perspectivas de desaceleração da atividade nos próximos meses e compõe o dilema de calibragem da política monetária: enquanto o crédito caro contém parte dos gastos privados, a renda sustentada por transferências e benefícios ajuda a manter a demanda. O C6 Bank projeta crescimento de 1,7% para o PIB em 2026 e alta de cerca de 2% para o varejo ampliado no ano, e espera que a Selic termine 2026 em 13,75%, sem descartar novas reduções. Minotto vê nos dados de agosto um argumento favorável à continuidade do ciclo de cortes em novembro, mas uma eventual redução da taxa básica não deve se traduzir de imediato em retomada do consumo: o custo do financiamento ao consumidor não acompanha necessariamente a Selic na mesma velocidade, e famílias com elevado comprometimento de renda precisam recuperar espaço no orçamento antes de assumir novas dívidas.
FONTE ORIGINAL:
https://forbes.com.br/forbes-money/2026/10/varejo-desaceleracao-economia-consumo-juros-altos
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