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IBC-Br sobe 0,3% em agosto, mas queda trimestral de 0,6% confirma desaceleração da economia

Publicado em: 16/10/2026 14:29
IBC-Br sobe 0,3% em agosto, mas queda trimestral de 0,6% confirma desaceleração da economia
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,3% em agosto de 2026 ante julho, interrompendo uma sequência de duas quedas mensais, com sustentação na recuperação da indústria e em avanço moderado dos serviços. Apesar do ganho mensal, o indicador acumulou retração de 0,6% no trimestre móvel encerrado em agosto, sinalizando perda de ritmo da atividade no segundo semestre. Na comparação com agosto de 2025, a expansão foi de 1,2%, e o acumulado de janeiro a agosto e o indicador em 12 meses registram crescimento de 1,6%. No detalhamento setorial, a indústria cresceu 0,9% no mês, mas recuou 1,2% no trimestre; os serviços avançaram 0,2% e caíram 0,3% no trimestre; a agropecuária retraiu-se 1,8% no mês e 0,2% no trimestre; e os impostos sobre produtos subiram 0,1% e caíram 1,1%, respectivamente. Excluindo a agropecuária, o índice avançou 0,3% no mês e recuou 0,7% no trimestre. Os resultados utilizam séries com ajuste sazonal. A desaceleração ocorre em ambiente de política monetária restritiva. Após corte para 13,75% ao ano na reunião de setembro, a Selic segue em patamar considerado restritivo pelo Copom, que reconheceu moderação gradual da atividade em setores sensíveis ao ciclo e destacou inflação e expectativas acima da meta. Os efeitos das alterações da taxa básica sobre consumo, investimento e financiamento ocorrem com defasagem: para as famílias, juros elevados aumentam o valor das prestações e limitam a assunção de novos financiamentos; para as empresas, elevam despesas financeiras e reduzem a atratividade de investimentos em expansão. As Contas Nacionais do IBGE já indicavam moderação, com PIB de +1,1% no primeiro trimestre e +0,5% no segundo trimestre de 2026. O IBC-Br é indicador de acompanhamento conjuntural de divulgação mensal e antecipada, com metodologia distinta do PIB trimestral. Instituições financeiras revisaram projeções: o Goldman Sachs passou a projetar PIB de 1,8% em 2026 (ante 2%) e 1% em 2027 (ante 1,2%), enquanto a XP trabalha com 1,7% em 2026 e 1% em 2027, citando carregamento estatístico negativo de cerca de 0,5% para o terceiro trimestre. O próximo IBC-Br, com divulgação prevista para 16 de novembro, será determinante para avaliar o terceiro trimestre, assim como o PIB oficial do IBGE. Atividades dependentes de financiamento — como determinados segmentos do comércio, a construção civil e a aquisição de bens duráveis — tendem a apresentar maior sensibilidade às condições de juros, enquanto o mercado de trabalho aquecido oferece algum suporte ao consumo sem eliminar os efeitos de condições financeiras restritivas.
FONTE ORIGINAL:
https://gazetamercantil.com/ibc-br-agosto-2026-desaceleracao-economia-brasileira
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