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Sistema do BC teve falha em dados de risco sacado das Americanas, diz Itaú
Publicado em: 18/10/2026 09:30
Documento apresentado pelo Itaú Unibanco à Polícia Federal alega que o Sistema de Informações de Créditos (SCR), gerido pelo Banco Central, registrou dados inconsistentes sobre operações de risco sacado da Americanas durante o período em que vigorou a fraude na companhia. Segundo o documento, ao qual o UOL teve acesso, os saldos de risco sacado da empresa despencaram de R$ 3,7 bilhões em dezembro de 2016 para R$ 160 milhões em dezembro de 2017, sem registro algum entre dezembro de 2019 e agosto de 2020. Os valores reaparecem em dezembro de 2020, em R$ 10,4 bilhões, e chegam a R$ 17 bilhões em setembro de 2022. O Itaú argumenta que essas inconsistências dificultaram a identificação da fraude por parte dos credores, uma vez que os dados deixaram de ser consistentes. O banco também afirma que sempre reportou corretamente suas operações ao Banco Central e que, entre o fim de 2017 e o fim de 2020, os saldos consolidados de risco sacado "não ficavam visíveis" no sistema. O Banco Central, por sua vez, afirmou que a responsabilidade pela correta prestação e atualização das informações no SCR é das instituições financeiras remetentes, que estão sujeitas a sanções em caso de envio de dados incorretos. A autarquia diz que não identificou problemas no funcionamento do sistema que tenham impedido o registro correto das operações. A investigação policial apurou que a Americanas não reportou de forma devida ao mercado dívidas de risco sacado — operação em que um banco adianta pagamentos a fornecedores e a empresa assume dívida com a instituição financeira. Em janeiro de 2023, a varejista revelou um rombo de R$ 20 bilhões em seus balanços. Uma das frentes da investigação é a possível participação dos bancos na fraude. E-mails de executivos do Itaú, acessados pela reportagem, revelam preocupação com a fatia do risco sacado da Americanas em posse do banco. Em novembro de 2022, o diretor José Rudge alertou internamente que, com base nos dados reportados pela empresa, o banco poderia deter participação superior a 85% do risco sacado total da companhia — cifra que não batia com conferências feitas com outros bancos. O Itaú afirma que, na mesma época, a Americanas prestou informações inverídicas ao confirmar exposição que não correspondia à realidade. A documentação inclui ainda a defesa do banco quanto a alegações de omissão em cartas de circularização enviadas a auditorias independentes e no memorando de oferta de ações da Americanas de 2017. O Itaú sustenta que não ocultou informações sobre risco sacado nos documentos emitidos. O MPF, em relatório anterior, apontou que bancos teriam omitido a dívida das Americanas em processos de captação de recursos no mercado.
FONTE ORIGINAL:
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/10/18/scr-itau-americanas.htm
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