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Selic pode cair a 6,3% em 2028 com ajuste fiscal, calcula BTG
Publicado em: 19/10/2026 11:42
O BTG Pactual apresentou um cenário alternativo em que a Selic chegaria a 6,3% ao ano no início de 2028, caso o Brasil combine ajuste das contas públicas com a redução do endividamento das famílias. A estimativa faz parte de uma simulação e não representa a previsão principal do banco. O estudo foi elaborado por uma equipe macroeconômica e por analistas de varejo, que modelaram quatro trajetórias alternativas para a política monetária e avaliaram como cada uma delas poderia afetar o consumo e as empresas brasileiras. No cenário mais favorável, as famílias reduzem consumo e empréstimos para reorganizar finanças, aliviando a pressão sobre preços. Somado a um ajuste fiscal capaz de aproximar as expectativas de inflação da meta de 3%, o Banco Central teria espaço para cortes mais intensos. Nesse caso, a Selic ficaria cerca de 4,9 pontos percentuais abaixo da trajetória de referência do banco, baseada no Boletim Focus. Outros cenários simulados indicam trajetórias distintas. Um ajuste fiscal crível, com menores expectativas de inflação e valorização do real, levaria a Selic a aproximadamente 8,1% no segundo trimestre de 2028. Caso a desaceleração decorra apenas da redução do endividamento das famílias, a taxa chegaria a 8,9% no terceiro trimestre de 2028, com a queda de juros funcionando como amortecedor da fraqueza da atividade, sem garantir recuperação rápida das vendas. No cenário adverso — desaceleração sem melhora fiscal e desvalorização de 10% do real — o câmbio mais alto pressionaria a inflação e praticamente eliminaria espaço para cortes, mantendo a Selic em 11,55% no primeiro trimestre de 2028. O relatório destaca efeitos diferenciados para empresas: juros menores reduziriam custos de financiamento e facilitariam o acesso ao crédito para consumidores, beneficiando varejistas. Contudo, se as famílias seguirem priorizando o pagamento de dívidas, a demanda pode permanecer fraca mesmo com condições financeiras mais favoráveis. O modelo também pressupõe que o Banco Central antecipe mudanças econômicas, alertando que, na prática, cortes podem ocorrer de forma mais lenta.
FONTE ORIGINAL:
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2026/10/19/selic-pode-cair-a-63-em-2028-com-ajuste-fiscal-calcula-btg.ghtm
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